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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E a palavra do Oscar 2012 foi: saudosismo


Ontem à noite a Academia de Cinema de Hollywood premiou as melhores produções e atuações de 2011 (e início de 2012), em uma festa que nitidamente possuía um clima saudosista. O saudosismo começou com a escolha do apresentador, Billy Cristal, peça carimbada nas cerimônias da década de 90, comandou pela nona vez a premiação. Na década de 90 ele chegou a apresentar quatro premiações seguidas, de 1990 a 1993. Mas o saudosismo não acabou por aí, com a exibição de cenas clássicas do cinema da década de 30-50 e a epresentação do Cirque du Soleil convidando o público para ir aos cinemas, fato cada vez menos comum hoje em dia, dada a facilidade de assistir aos filmes nos mais diversos aparelhos eletrônicos. A festa teve ainda a distribuição de pipoca por mulheres devidamente caracterizadas lembrando os tempos áureos do cinema. Tudo isso foi uma indicação do que estaria por vir na noite mais aguardada do cinema. 



Nomes de peso compareceram a festa, como Martin Scorsese, Steven Spielberg e Meryl Streep, mas a presença na platéia não foi garantia de premiação. Que o diga Woody Allen, vencedor do Melhor Roteiro Original por "Meia-Noite em Paris" (que era o meu palpite inicial) e que mais uma vez não estava presente na entrega do prêmio. Isso já era de certa forma esperado, dado que quando ele ganhou o Oscar de Melhor Diretor por "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" em 1978, preferiu ficar no bar com os amigos. "Meia-noite" tem um roteiro bastante interessante e também exalta o saudosismo dos tempos idos da bela Paris. O prêmio de Roteiro Adpatado foi para "Os Descendentes", o qual concorria com "A Invenção de Hugo Cabret" (o meu favorito para o prêmio) e "Cavalo de Guerra". "Os Descendentes" era considerado um dos favoritos ao prêmio de Melhor Filme e Ator logo após o anúncio dos indicados, mas como vimos, não se concretizou. George Clooney está muito bem no papel, com uma interpretação muito mais discreta do que exaltada. No entanto, achei que tanto Brad Pitt ("O homem que mudou o jogo") como Jean Dujardin ("O Artista") estavam melhores que Clooney. A história de "Os descendentes" não me convenceu. É um filme médio e que diz muito pouco quando acaba.  



Os prêmios de Atriz e Ator Coadjuvante não tiveram surpresas. Octavia Spencer ("Histórias Cruzadas") e Christopher Plummer ("Toda Forma de Amor") foram os grandes vencedores. Plummer se tornou o ator mais velho a ganhar um Oscar aos 82 anos e ainda fez um trocadilho com a idade do Oscar, 84 anos. Ainda não vi "Toda Forma de Amor", mas Octavia Spencer realmente roubou a cena em "Histórias Cruzadas" com a sua famosa torta de "chocolate". "Histórias Cruzadas", uma adaptação do best-seller "The Help" conta a história de servidão a que as empregadas domésticas negras eram submetidas no sul dos Estados Unidos na década de 60. Embora a história do filme seja de época, basta dar uma caminhada no Leblon ao final da tarde para ver que essa história ainda não terminou. Talvez não nos mesmos moldes apresentados no filme, mas a hierarquia racial ainda é uma realidade, infelizmente. O elenco, composto quase que exclusivamente por mulheres, está em perfeita sintonia e garante ótimas atuações. Vale a pena conferir. 

O iraniano "A Separação" confirmou o seu favoritismo e levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O Brasil ficou de fora dessa categoria, mas estava indicado a Melhor Canção Original pelo filme "Rio" com a música "Real in Rio", composta por Carlinhos Brown e Sérgio Mendes. Competiu com "Man or Muppet", trilha de "Os Muppets" e infelizmente perdeu. Parece que na noite da tradição e do saudosismo não teve espaço para o balanço e a alegria do samba. Carlinhos Brown e Sergio Mendes sequer foram filmados durante a cerimônia. Realmente uma pena, a música de "Rio" é muito superior à dos "Muppets", mas a Academia preferiu premiar uma música sem graça com piano ao fundo. Só faltou ser jazz .... Além disso, nem "Rio" ou "As Aventuras de Tintin" foram indicados a Melhor Animação (um "esquecimento" lamentável). Ao invés disso, preferiu indicar filmes caça-níqueis como "Kung-Fu Panda 2" e "Gato de Botas". Mas felizmente, a minha decepção na 84ª Cerimônia do Oscar, acabou por aí. 



Em sua 17ª indicação, Meryl Streep finalmente levou a sua terceira (e merecida) estatueta para casa. Recorde de indicações entre os atores, Meryl foi aplaudida de pé quando subiu ao palco do Kodak Theater, um reconhecimento pela consistência e indiscutível credibilidade que ela dá a todos os papéis que desempenha, desde a mãe hippie de "Mamma Mia" até a mãe desesperada de "A escolha de Sofia". "A Dama de Ferro" é um filme médio, não se aprofunda em nenhum tema político da vida de Margareth Tatcher, mas logo na primeira cena em que Tatcher (Meryl) aparece já velhinha comprando uma caixa de leite no supermercado, sabemos que uma grande atuação está por vir. Meryl está praticamente irreconhecível com a maquiagem que a transformou em uma senhora senil (e que ganhou também o Oscar de Melhor Maquiagem). "A dama de ferro" vale a pena exclusivamente pela atuação de Meryl. Só uma atriz como ela é capaz de segurar um filme com uma história não tão interessante assim. 

Infelizmente, a repetição de vencedores parou por aqui. Martin Scorsese, indicado a Melhor Diretor por "A invenção de Hugo Cabret", não levou o seu segundo Oscar. Particularmente, gostaria que ele levasse mais uma vez. Scorsese possui um tipo de filme característico a que está acostumado a fazer, mas a sua performance em "Hugo" surpreende, você tem que se esforçar para lembrar que é um Scorsese. Para mim "Hugo" já é o melhor filme de 2012. Quando comecei a assistir, não dava nada por ele, mas ainda assim estava curioso para ver. Conforme a história se desenvolve, o filme nos cativa de uma tal maneira que é impossível não gostar dele. O filme também faz uma homenagem ao início do cinema em preto e branco, mostra qual foi o primeiro filme produzido (um trem chegando na estação) e como eram feitos os efeitos especiais - modificando a película quadro-a-quadro manualmente. O filme ganhou 5 dos 11 Oscars a que foi indicado, todos em categorias técnicas, incluindo Melhor Fotografia, Efeitos Visuais, Mixagem e Edição de Som e Direção de Arte, todos merecidíssimos. É incrível como Scorsese conseguiu aliar toda a tecnologia 3-D disponível atualmente para contar uma história simples e cativante que remonta aos primórdios do cinema-mudo. Realmente vale muito a pena assistir.

Falando em cinema mudo, o francês "O Artista" levou os principais prêmios da noite: Melhor Filme, Diretor (Michel Hazanavicius) e Ator (Jean Dujardin), além de Melhor Trilha Sonora. O filme é realmente muito bom, não somente porque relembra a beleza dos filmes em branco e branco, mas porque relembra que boas histórias e atuações independem de cor e efeitos especiais. Além disso, o filme dá a oportunidade aos mais jovens de se interessarem e buscarem filmes mais antigos, com menos explosões e mais conteúdo. É claro que esse tipo de filme ainda existe hoje em dia. Eles só não são tão badalados como no tempo de outrora, o que leva a uma meia duzia cult ignorar e detestar o Oscar. Claro que a premiação foi feita para os filmes americanos e que Holywood foi a base fundamental para homogeneizar o cinema mundial, mas mesmo assim ela foi capaz de contar belíssimas histórias e de popularizar uma arte tão bonita e rica como o cinema. 


A premiação de "O Artista" foi uma das que mais me agradou nos últimos  tempos, onde a Academia tem premiado filmes como "Guerra ao Terror" e "Onde os fracos não tem vez", com histórias não tão interessantes assim. No clima de saudosismo que a Academia transmitiu esse ano, o grande vencedor não poderia ser outro, embora para mim tanto "O Artista" como "A invenção de Hugo Cabret" mereciam os prêmios máximos. Ambos saíram com cinco estatuetas, embora o peso dos prêmios de "O Artista" seja maior, "Hugo" já é um clássico do cinema e mostra que Scorsese, assim como Spielberg, pode ser um camaleão do cinema. Aliás, Scorsese "imitou" um outro ícone do cinema, Alfred Hitchcock, ao aparecer rapidamente em uma cena de "Hugo". Ainda espero um dia ver ele ganhar o seu segundo Oscar. 



Jean Dujardin conseguiu o inimaginável: atuando em filme mudo em plena era tecnológica ganhou quase todos os principais prêmios do cinema mundial: Oscar, Globo de Ouro, Spirit Awards e o Festival de Cannes. Resta saber o que virá pela frente na carreira desse babalado ator francês. 

Em resumo, gostei bastante das premiações e das indicações, com exceção de alguns esquecidos como "Tintin", "Rio", Leonardo DiCaprio e Clint Eastwood. O clima saudosista indica que Hollywood não anda gostando muito das produções atuais, mas novos caminhos são possíveis. Basta Hollywood apostar em novos nomes e boas histórias. Mas também não há nenhum problema em relembrar o passado. Como disse o personagem de Owen Wilson em "Meia-noite em Paris": O passado não está morto. O passado não passou". Até a próxima.

Confira abaixo os vencedores da 84ª premiação do Oscar:

Melhor diretor: Michel Hazanavicius, "O Artista"
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor"
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer, "Histórias Cruzadas"
Melhor roteiro adaptado: "Os Descendentes"
Melhor roteiro original: "Meia-noite em Paris"
Melhor animação: "Rango"
Melhor filme estrangeiro: "A Separação"
Melhor trilha sonora: "O Artista"
Melhor canção original: "Man or Muppet", de "Os Muppets"
Melhores efeitos visuais: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor fotografia: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor direção de arte: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor figurino: "O Artista"
Melhor edição: "Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
Melhor edição de som: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor mixagem de som: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor documentário: "Undefeated"
Melhor curta-metragem: "The Shore"
Melhor curta-metragem de animação: "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"
Melhor documentário em curta-metragem: "Saving Face"

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Top 10: Cenas Clássicas do Cinema

A cada ano são produzidos milhares de filmes por todo o globo, mas nem todos alcançam a fama e o prestígio que gostariam. Ou por que não há muita verba para divulgação ou pelo simples fato de serem ruins mesmo (e convenhamos que há muito mais lixo do que pérolas cinematográficas atualmente). No entanto, alguns filmes conseguiram obter não somente o sucesso e o reconhecimento do público e crítica, mas também fizeram o mais difícil: entrar de tal forma na mente humana que determinada cena se torna inesquecível para quem vê. Isto é ser um clássico!

Abaixo listei os 10 filmes (e suas respectivas cenas) mais clássicas da história do cinema. Cenas que vivem para sempre no imaginário popular...

10º Lugar: Beleza Americana (American Beauty, 1999)

O único filme mais recente da lista. Dirigido por Sam Mendes (ex-marido de Kate Winslet), essa cena é um clássico moderno, assim como o filme. Lester (Kevin Spacey), cansado da sua rotina com a esposa e trabalho, sente-se atraído pela adolescente Angela (Mena Suvari), uma amiga de sua filha. Oscar de Melhor Filme, Direção, Ator (Kevin Spacey), Fotografia e Roteiro Original.

Vale a pena conferir.




9º Lugar: A um passo da eternidade (From here to eternity, 1953)

Talvez a cena de beijo mais clássica de todos os tempos, embora isso gere alguma discussão. Para as pessoas que não viram o filme, com certeza elas já viram essa cena em algum lugar. Cena clássica e sensual, casal de amantes (Burt Lancaster e Deborah Kerr) deita e rola enquanto se beija em uma praia. Algumas mulheres podem até suspirar ao verem isso.



8º Lugar: O pecado mora ao lado (The seven year itch, 1955)

Esse com certeza pouca gente viu, mas não há quem nunca tenha visto, e quem sabe até imitado essa cena clássica protagonizada por Marilyn Monroe. Um clássico sem dúvidas!



7º Lugar: O Iluminado (The Shining, 1980)

Dirigido por Stanley Kubrick, embora não seja o seu melhor filme, é nele que consta a cena mais clássica que ele dirigiu. Jack (Jack Nicholson, brilhante como sempre) vai a loucura e tenta matar a sua esposa Wendy (Shelley Duvall) e seu filho com poderes psíquicos, Danny (Danny Loyd). A cena, além de clássica, é de arrepiar, com destaque para as expressões pavorosas de Wendy. Não foi à toa que Kubrick brigou diversas vezes com Shelley durante as filmagens, pedindo para ela repetir as cenas até conseguir o que ele queria.




6º Lugar: Casablanca (Casablanca, 1942)

Esse filme, assim como os próximos dois, não possuem apenas uma cena clássica. O filme todo é um clássico. "Casablanca" conta a história do antigo romance entre Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergmann). Assim como cenas clássicas, o filme também apresenta frases clássicas como: "Eu sei que jamais terei forças para deixá-lo novamente" ou "Nós sempre teremos Paris".
De todas as cenas, acho que a final é a mais emblemática do filme, no momento em que Richard e Ilsa se separam e ele diz para ela ficar com seu novo amor, Victor (Paul Henreid). Oscar de Melhor Filme, Diretor (Michael Kurtiz) e Roteiro.



5º Lugar: O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972)

Qualquer cena desse filme é clássica. Essa obra-prima de Francis Ford Copolla é um dos melhores filmes de todos os tempos. Escolhi a cena inicial do filme, onde somos apresentados a Don Vitto Corleone (Marlon Brando), como a mais clássica do filme, mas qualquer outra poderia substituí-la. A cena de abertura do filme é um longo zoom saindo do rosto do personagem Bonosera e indo parar atrás de Vito Corleone, de onde só ouvimos a sua voz. O seu rosto só é revelado ao telespectador após 3:15 minutos. Simplesmente genial! Oscar de Melhor Filme, Ator (Marlon Brando) e Roteiro Adaptado.



4º Lugar: ... E o vento levou (Gone with the wind, 1939)

Tido por muitos como o clássico dos clássicos, é muito difícil selecionar apenas uma cena em um filme tão grandioso e cheio de cenas memoráveis. Dentre as muitas opções, selecionei uma das cenas mais fortes e significativas do filme. Após a morte do pai, com Tara destruída e tendo que se esconder dos yankees, Scarlet promete que nunca mais passará fome em sua vida.




3º Lugar: Cantando na Chuva
(Singing in the Rain, 1952)

Tido pela crítica especializada com o melhor musical americano de todos os tempos, "Cantando na chuva" é um clássico estrelado por Gene Kelly. Mesmo quem nunca viu o filme, alguma vez já se pegou assobiando ou cantarolando a musica-tema do filme.




2º Lugar: E.T. - O Extra-terrestre
(E.T. - The Extra-Terrestrial, 1982)

O clássico de Steven Spielberg. A cena de ET voando na bicicleta de Elliott (Henry Thomas) com a lua ao fundo é tão clássica e emblemática que essa cena é a marca da Amblin Entertainment, produtora fundada por Spielberg em 1981. Destaque também para a trilha sonora característica do filme. Um clássico.




1º Lugar: Psicose (Psycho, 1960)

Quando pensei nessa lista, automaticamente pensei que essa cena deveria ser a número um. Essa cena de assassinato é a mais imitada em todo o mundo. A trilha é algo que transcende o filme, e ao mesmo tempo é inseparável dele. Ela se tornou sinônimo de suspense. Dirigida por Alfred Hitchcock, essa cena demorou sete dias para ser filmada e usou mais de 70 posições diferentes de câmera, além de um chuveiro extra-grande (com 2 metros de diâmetro), para que todos os jatos d'água fossem captados. Hitchcock teria alcançado o máximo do suspense e a cena mais clássica da história do cinema. Isso tanto é verdade, que ao procurar por "classic scene movies" no Google, "Psicose" foi o único filme que se repetiu (três vezes) na primeira página da busca. Enjoy it!



Até a próxima! (Espero que dessa vez não demore tanto...)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 sem surpresas e com favorito


Ontem à noite foi realizada a 83ª cerimônia do Oscar, apresentada pelos novatos atores James Franco e Anne Hathaway. Desconsiderando a apresentação sem graça de James Franco, que parecia estar em outra dimensão, Hathaway até que se esforçou e se saiu razoavelmente bem (embora algumas críticas digam o contrário). Bom, mas não estou aqui para discutir a performance dos apresentadores. Vamos ao que interessa:

Antes de qualquer coisa é preciso dizer que a cerimônia não teve nenhuma grande surpresa, todos os favoritos foram premiados em suas respectivas categorias. Começando com as categorias técnicas, "A origem" levou quatro estatuetas: Efeitos Visuais, Fotografia, Mixagem e Edição de Som. Nada mais justo para um filme que apresenta cenários e efeitos exuberantes e cuidadosamente planejados.



Os atores coadjuvantes tiveram destaque em "O vencedor". Christian Bale levou o Oscar como Melhor Ator Coadjuvante e Melissa Leo o de Atriz Coadjuvante (ela parecia não acreditar quando anunciaram o seu nome!). O Oscar de Bale foi mais do que merecido, ele está ótimo como o ex-lutador de boxe viciado em crack, e além do mais a Academia sempre premia atores que mudam a sua aparência física. O Oscar de Atriz Coadjuvante, na minha opinião, estava entre Melissa Leo ("O vencedor") e Jacki Weaver ("Reino Animal"), mas quem deveria mesmo ter ganhado era Julianne Moore ("Minhas mães e meu pai") e que nem sequer foi indicada. Mas ela não foi a única injustiçada da noite...



Como esperado, "Toy Story 3" levou o Oscar de Melhor Animação e levou de quebra o prêmio de Melhor Canção Original. A gigante Disney ainda tem muito fôlego pelo frente....

Agora vamos para as principais categorias:

Melhor Atriz: Como falei na última postagem, a disputa ia ser entre Natalie Portman ("Cisne negro") e Annete Bening ("Minhas mães e meu pai"). Eu gostaria muito que Annete Bening levasse o prêmio, mas foi praticamente impossível concorrer com a atuação visceral de Natalie Portman. A dualidade entre a mulher frágil (representada pelo cisne branco) e a mulher forte e sedutora (representada pelo cisne negro) que beira a loucura em busca da perfeição não podia passar em branco pela Academia. Prêmio mais do que merecido. A personagem Nina de Natalie me lembrou um pouco a clássica personagem de Vivien Leigh em "Uma rua chamada pecado" (1951) que também beira a loucura após ficar viúva. Aliás, esse personagem rendeu a Vivien a sua segunda estatueta como Melhor Atriz.

Melhor Ator: Como previsto em 100% dos bolões, Colin Firth levou o tão aguardado prêmio de Melhor Ator por "O discurso do rei". Realmente, comparando todas as atuações dos demais indicados, a dele foi sem dúvida a melhor.

Agora vem o nó que ainda está na minha garganta.

Melhor diretor para Tom Hooper e Melhor Filme para "O discurso do rei": Quem é Tom Hooper? O que ele fez para ganhar o Oscar de Melhor Diretor? Ok, o filme é bem feito, as atuações são boas, o figurino e a fotografia também são boas, mas "O discurso do rei" não é o melhor filme entre os indicados (pelo menos não pra mim). Levou ainda o Oscar de Melhor Roteiro Original, sendo que ele é baseado em uma história real. Eu gostaria muito que "A origem" levasse como Melhor Filme (veja postagem anterior), e ele deveria no mínimo ganhar na categoria de Roteiro Original. Voltando aos esquecidos, Christopher Nolan foi o grande esquecido da noite. O Oscar de Melhor Diretor deveria ser dele, e nem indicado ele foi. Considerando isso, já previa que "A origem" não ganhasse na principal categoria. Excluindo "A origem" do páreo, o filme que deveria ganhar era "Cisne negro" e Darren Aronofsky como diretor. Dan recontou a clássica história do Lago dos Cisnes, passando pelo drama e suspense, de forma brilhante, além de "brincar" com jogos de imagens nos espelhos, numa edição primorosa. Uma direção que merecia ser reconhecida.



Pior mesmo só para David Fincher ("A rede social"), que mais uma vez viu a estatueta escorrer por entre as suas mãos. Em 2008, seu ótimo "O curioso caso de Benjamin Button" começou como favorito, mas foi perdendo terreno para "Quem quer ser um milionário?" de Danny Boyle, que acabou levando o prêmio máximo da noite. Ontem a história se repetiu: "A rede social" começou como franco favorito e acabou ficando de lado e perdendo para "O discurso do rei". A história de David Fincher está começando a ficar parecida com a de Martin Scorsese, que ganhou como Melhor Diretor por "Os infiltrados", mais como um reconhecimento pela sua obra do que pelo filme em si. Espero que esteja enganado.

Por fim, acho que a minha insatisfação com a premiação de ontem nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Filme deve-se a fraca produção hollywoodiana do último ano. Assisti aos 10 indicados e fatalmente essa lista poderia ser reduzida para cinco filmes, sem grandes prejuízos. Os únicos que eu realmente acho que mereceram a indicação foram: "Cisne negro", "A origem", "O vencedor" e "O discurso do rei". Estão faltando boas histórias em Hollywood, ou melhor, Hollywood está precisando investir em boas histórias. Mark Wahlberg, por exemplo, demorou anos até que um estúdio aceitasse filmar "O vencedor".



Embora na última postagem tenha dito que não havia favoritismo nesta premiação, "O discurso do rei" saiu como o grande vitorioso, com quatro dos cinco Oscars mais cobiçados: Melhor Filme, Diretor, Ator e Roteiro Original. Faltou o de Melhor Atriz para fechar o "quinteto de ouro" do cinema [apenas três filmes ganharam em todas essas categorias: "Aconteceu naquela noite" (1934), "Um estranho no ninho" (1975) e "O silêncio dos Inocentes" (1991)]. Apesar das importantes vitórias nas principais categorias, das 12 indicações que recebeu, "O discurso" ganhou só em quatro. Veja abaixo a lista completa dos vencedores do Oscar 2011.


Melhor direção de arte
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor fotografia
- "A origem"

Melhor atriz coadjuvante:
- Melissa Leo – “O vencedor”

Melhor curta-metragem de animação
- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman

Melhor longa-metragem de animação:
- "Toy story 3"

Melhor roteiro adaptado
- “A rede social”

Melhor roteiro original
- “O discurso do rei”

Melhor filme de língua estrangeira
- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)

Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale – “O vencedor”

Melhor trilha sonora original
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor mixagem de som
- "A origem"

Melhor edição de som
- "A origem"

Melhor maquiagem
- "O lobisomem"

Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor documentário em curta-metragem
"Strangers no more"

Melhor curta-metragem
- "God of love"

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Trabalho interno"

Melhores efeitos visuais
- "A origem"

Melhor edição
- "A rede social"

Melhor canção original
- "We belong together", de "Toy story 3"

Melhor diretor
- Tom Hooper – “O discurso do rei”

Melhor atriz
- Natalie Portman – “Cisne negro”

Melhor ator
- Colin Firth – “O discurso do rei”

Melhor filme
- “O discurso do rei”

Até a proxima postagem...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Oscar 2011: há ou não favoritismo?


Como foi alardeado pelos quatro cantos do mundo, saiu hoje pela manhã a lista completa dos indicados ao Oscar 2011. Num ano em que poucas produções se destacaram, não há favoritismo de um único filme em várias categorias. Após a premiação do Globo de Ouro, o anúncio de hoje confirmou as prováveis indicações, principalmente nas categorias Melhor Filme, Atriz, Ator e Diretor.

O badalado e popular 'A rede social' recebeu 8 indicações, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator para Jesse Eisenberg e Melhor Diretor para David Fincher. O mérito da indicação de Fincher está no fato de transformar uma história judiciária e turbulenta num filme tolerável. Talvez o maior apelo popular do filme seja por tratar justamente sobre redes sociais (nesse caso a criação do Facebook), num mundo cada vez mais cibernético e individualista. Não é o melhor filme de Fincher ['Clube da Luta' (1999) é muito melhor] e eu cansei logo na primeira fala non-stop de Jesse Eisenberg. O filme todo é acelerado, numa alusão a velocidade da rede, mas também como um novo mau do século, as pessoas não assimilam tanta informação em muito pouco tempo. Eu não consegui terminar de ver...

Como a Academia gosta de mostrar que está por dentro do que anda acontecendo no mundo, não me surpreenderia se 'A rede social' ganhar como Melhor Filme, assim como levou o mesmo prêmio 'Guerra ao terror' ano passado, contextualizando a premiação com a guerra no Iraque, enquanto Bastardos Inglórios e Preciosa eram infinitamente melhores.

Eu gostaria que 'A origem' fosse premiado como Melhor Filme. Já está na hora da Academia premiar um filme de ficção científica. Não só pelo fato de ser um filme de sci-fi, mas pela combinação de roteiro e direção de Christopher Nolan, que foi esquecido esse ano pela Academia. 'A origem' prende o espectador do começo ao fim, e o melhor, ele não dá um final pronto. Pelo contrário, o final gera discussão, e isso é muito interessante. Mas como sempre a Academia 'esquece' de alguém. Outro esquecido foi Julianne Moore, por 'Minhas mães e meu pai' (numa péssima tradução de 'The kids are all right'). Uma excelente atuação que merecia ser indicada. Contudo, sua parceira em cena, a já veterana e sempre excelente Annette Bening recebeu a sua quarta indicação e primeira como Melhor Atriz em papel principal. Ao que tudo indica a disputa ficará entre Bening e a também excelente Natalie Portman, por 'Cisne negro'. Eu torço por Annette Bening, sua atuação em 'Minhas mães e meu pai' é muito boa, com destaque para a cena que ela canta durante o jantar uma música de Joni Mitchel. Poucas atrizes se sairiam bem numa cena dessas.

O prêmio de Melhor Ator parece que já está garantido para Colin Firth por 'O discurso do rei', mas candidatos fortes como Javier Bardem por 'Biutiful', Jesse Eisenberg por 'A rede social' e James Franco por '127 horas' podem gerar um momento-surpresa durante a premiação mais famosa do cinema.


David Fincher deve ganhar o Oscar de Melhor Diretor por 'A rede social', mas quem deveria mesmo receber a estatueta era Christopher Nolan, por 'A origem'. O diretor de 'Cavaleiro das trevas' e 'Amnesia' possui uma forma peculiar e única de contar histórias. Infelizmente não foi dessa vez.

Uma das grandes surpresas foi a indicação de Toy Story 3 ao prêmio de Melhor Filme, sendo a terceira animação a concorrer nessa categoria. Os anteriores foram 'A bela e a fera' (1991) e 'Up - Altas aventuras' (2009). Com certeza deve ganhar na categoria Melhor Animação.

Não acredito que um único filme saia como o grande vencedor da noite no dia 27 de fevereiro. O máximo que eu acredito é que um mesmo filme leve as estatuetas de Melhor Diretor e de Melhor Filme, claro sem contar as categorias técnicas, que imagino que 'A origem' deva levar na maioria (pelo menos nas categorias de som e efeitos).

No mais estou torcendo por uma 'zebra' na categoria de Melhor Filme. Agora é esperar para ver.
Veja abaixo a lista completa dos indicados ao Oscar 2011 e comece a fazer as suas apostas.

Melhor filme:
- “A rede social”
- “O discurso do rei”
- “Cisne negro”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “Toy Story 3”
- “Bravura indômita”
- “Minhas mães e meu pai”
- “127 horas”
- “Inverno da alma”

Melhor diretor:
- David Fincher – “A rede social”
- Tom Hooper – “O discurso do rei”
- Darren Aronofsky – “Cisne negro”
- Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
- David O. Russell – “O vencedor”

Melhor ator:
- Jesse Eisenberg – “A rede social”
- Colin Firth – “O discurso do rei”
- James Franco – “127 horas”
- Jeff Bridges – “Bravura indômita”
- Javier Bardem – “Biutiful”

Melhor atriz:
- Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
- Natalie Portman – “Cisne negro”
- Nicole Kidman - “Rabbit hole”
- Michelle Williams - “Blue valentine”
- Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”

Melhor ator coadjuvante:
- Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
- Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
- Christian Bale – “O vencedor”
- Jeremy Renner – “Atração perigosa”
- John Hawkes – "Inverno da alma"

Melhor atriz coadjuvante:
- Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
- Melissa Leo – “O vencedor”
- Amy Adams – “O vencedor”
- Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
- Jacki Weaver - “Reino animal”

Melhor roteiro original:
- “Cisne negro”
- “Minhas mães e meu pai”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “O discurso do rei”

Melhor roteiro adaptado:
- “A rede social”
- “127 horas”
- “Bravura indômita”
- “Toy Story 3”
- "Inverno da alma"

Melhor longa-metragem de animação:
- "Como treinar o seu dragão"
- "O mágico"
- "Toy Story 3"

Melhor direção de arte:
- "Alice no País das Maravilhas"
- "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"

Melhor fotografia
- "Cisne negro"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"

Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"
- "I am love"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
- "The tempest"

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Exit through the gift shop"
- "Gasland"
- "Inside job"
- "Restrepo"
- "Lixo extraordinário"

Melhor documentário (curta-metragem)
- "Killing in the name"
- "Poster girl"
- "Strangers no more"
- "Sun come up"
- "The warriors of Qiugang"

Melhor edição
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "O discurso do rei"
- "127 horas"
- "A rede social"

Melhor filme de língua estrangeira
- "Biutiful"(México)
- "Dogtooth" (Grécia)
- "In a better world" (Dinamarca)
- "Incendies" (Canadá)
- "Outside the law" (Argélia)

Melhor trilha sonora original
- "Como treinar seu dragão" - John Powell
- "A origem" - Hans Zimmer
- "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
- "127 horas" - A.R. Rahman
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor canção original
- "Coming home", de "Country Strong"
- "I see the light", de "Enrolados"
- "If I rise", de "127 horas"
- "We belong together", de "Toy Story 3"

Melhor curta-metragem
- "The confession"
- "The crush"
- "God of love"
- "Na wewe"
- "Wish 143"

Melhor curta-metragem de animação
- "Day & night"
- "The gruffalo"
- "Let's pollute"
- "The lost thing"
- "Madagascar, carnet de voyage"

Melhor edição de som
- "A origem"
- "Toy Story 3"
- "Tron: o legado"
- "Bravura indômita"
- "Incontrolável"

Melhor mixagem de som
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Salt"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"

Melhores efeitos visuais
- "Alice no País das Maravilhas"
- Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "Além da vida"
- "A origem"
- "O Homem de Ferro 2"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Top 5: Melhores Continuações

Como apontado na postagem de junho, boa parte da produção cinematográfica desse ano está sendo de sequências. Na maioria das vezes, querendo se apoiar no enorme sucesso de um filme, os produtores mais gananciosos emendam uma sequência atrás na outra, querendo repetir o sucesso da primeira fita. Algumas vezes conseguem, outras nem tanto. Fato é que algumas sequências são realmente muito superiores ao primeiro ou segundo filme. Já que o cinema é recheado de sequências, listei as cinco melhores continuações, aquelas em que o segundo ou terceiro filme da série é considerado melhor que o primeiro. Vale um adendo: o ranqueamento da lista foi feita comparando-se o quão melhor um filme é em relação ao seu predecessor, e não em relação aos outros que compõem esta lista.

5º Lugar: Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989)


Tido na época para ser o último filme da franquia, Steven Spielberg realmente fez um filme a altura da grandiosidade do personagem de Harrison Ford como obra de despedida do personagem Indiana Jones. Depois de uma sequência morna, mas ainda assim interessante, em "Indiana Jones e o Templo da Perdição" (1984), agora Indiana está acompanhado de seu pai Henry Jones (Sean Connery) na busca pelo lendário Santo Graal, o calíce utilizado por Jesus Cristo durante a Última Ceia e que também recebeu seu sangue durante a crucificação. Com a promessa de dar a imortalidade para quem beber no Santo Graal, logo a localização do Sagrado Cálice desperta o interesse nazista. Os seguidores do Terceiro Reich assim, capturam o pai de Indiana. Segue-se uma sequência de fuga e espionagem até finalmente Indiana Jones encontrar o lendário cálice. Apesar de "Os Caçadores da Arca Perdida" (1981) estar entre os melhores filmes da série, esse foi o que mais me chamou a atenção. Talvez, pelo tom de despedida dado ao filme, com a cena final de Indiana Jones e seus parceiros cavalgando em direção ao por-do-sol. Contudo, 19 anos mais tarde, Spielberg e George Lucas se juntaram novamente para produzir o último filme da série. Um belo presente para os fãs de Indiana Jones, que assim como eu, até então, não tinha tido a oportunidade de ver o herói na tela grande.


4º Lugar: O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final (Terminator 2, 1991)


Poucas obras de ficção se tornaram tão populares como "O Exterminador do Futuro". Dirigido por James Cameron, nessa sequência, após a falha em matar Sarah Connor (Linda Hamilton), agora é enviado um novo exterminador chamado T-100 (Robert Patrick), encarregado de matar John Connor (Edward Furlong), filho de Sarah, e que no futuro iria liderar a revolução contra as máquinas. Ao mesmo tempo em que T-100 é enviado para matar John, um outro exterminador, o T-101 (Arnold Schwarzenegger), é enviado para protegê-lo. Interessante notar a diferença no porte físico entre o personagem T-100 e T-101. James Cameron selecionou Robert Patrick justamente para constrastar as diferenças físicas, mas para dizer que apesar disso, o T-100 poderia ser tão mortal ou mais do que o personagem de Schwarzenegger. "O Exterminador do Futuro 2" ganhou quatro Oscar, todos em categorias técnicas, incluindo Melhor Efeitos Visuais. Só James Cameron consegue superar a si mesmo. Foi assim depois com "Titanic" (1997) e, recentemente com o vislumbrante "Avatar" (2009). Com efeitos especiais impresionantes para a época e uma história em que faz o telespectador refletir sobre o seu futuro e a dependência tecnológica, o filme é definitivamente o melhor de todos da franquia. Vale a pena ver e rever esse clássico, afinal como disse a personagem de Linda Hamilton: "Se uma máquina pode aprender a amar, talvez nós possamos também".

3º Lugar: O Poderoso Chefão - Parte II (The Godfather - Part II, 1974)


Incrível como é difícil falar sobre esse filme, ou qualquer um da trilogia. Acho que cabe ao leitor ler a crítica a respeito desse filme na última postagem. O que vou reafirmar aqui é que esse filme é mais complexo do que o primeiro, mostrando ao mesmo tempo a história de Vito Corleone jovem e as ações de Dom Michael Corleone como o novo "padrinho". Com excelentes interpretações de Al Pacino e Robert De Niro esse filme conseguiu o que muita gente duvidava: superar a primeira parte em técnica e enredo e também levar a estatueta de Melhor Filme, assim como o seu antecessor. Parada obrigatória para quem gosta de bom cinema.

2º Lugar: Shrek 2 (Shrek 2, 2004)


Muita gente pode estar se perguntando como "Shrek 2" superou "O Poderoso Chefão - Parte II"? A resposta está no fato de que essa sequência simplesmente engoliu a antecessora e todas as sequências posteriores. Como já falei sobre esse filme na postagem sobre os 10 melhores filmes década (2000-2009) não vou me repetir aqui. O que me chama atenção além de toda a inversão dos contos de fadas, é a quantidade de referências que o filme faz a outras películas. Se no primeiro há uma referência a filmes como "Matrix", nessa nova sequência a quantidade de referências é imensa: "Alien, o 8º passageiro", "E.T. - O Extra-Terrestre", "Missão Impossível", "Flashdance", entre outros que eu devo ter esquecido. Referências, aliás, copiadas por outros filmes como Madagascar, que se refere a filmes como "Náufrago" e "Beleza Americana". Mas o melhor é mesmo a inversão de papéis entre ogros e príncipes encantados e fadas-madrinhas, cultuados durante décadas pela Disney. Ainda bem que Walt Disney está congelado, se não estaria se revirando no caixão.

1º Lugar: Tropa de Elite 2 (Tropa de Elite 2, 2010)



"Qualquer semelhança com a realidade é apenas uma coincidência. Essa é uma obra de ficção".

É simplesmente sensacional a capacidade que um filme tem de mexer com a população, gerando discussões e questionamentos sobre o sistema em que estão imersos. Se o primeiro filme de José Padilha já tinha atingido um nível altíssimo de popularidade e discussões acerca das ações da polícia nas favelas do Rio de Janeiro, agora em "Tropa de Elite 2" o foco não são as ações isoladas da polícia, mas sim todo o sistema e jogos de poder que estão por trás dos tomadores de decisão.
Wagner Moura reencarna o seu personagem mais popular, o capitão Nascimento. Nesse filme ele é retirado do BOPE devido a um "acidente" no presídio de Bangu. Assume então a chefia da Secretaria de Inteligência. O que ele não sabia porém, é que a aparente paz nas favelas se deve às milícias formadas por policiais que invadem e com a promessa de proteger as comunidades obrigam a população a consumir os serviços oferecidos por eles. Fazendo uma denúncia social poucas vezes vistas no cinema brasileiro, Padilha mostra as ações combinadas de policiais e políticos corruptos que não medem "forças" para conseguir os votos das comunidades carentes sobre uma falsa promessa de proteção. Com cenas de difíceis de esquecer, como quando os capangas de um policial arrancam os dentes do crânio queimado de uma jornalista que investigava a polícia, o filme deixa o telespectador com uma sensação de impotência, daquelas de não querer levantar da cadeira do cinema e ir para a rua. Uma história contundente e de uma realismo revelador. Wagner Moura novamente se sai muito bem como protagonista do filme, em uma atuação, que na minha opinião, é digna de Oscar. Falando em Oscar, vamos ver qual filme brasileiro os especialistas irão indicar para concorrer a uma entre as cinco vagas para o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Ouvi boatos de que seria "Nosso Lar". Esperar pra ver... "Tropa de Elite 2", ainda em cartaz, já foi visto por mais de 10 milhões de espectadores, superando os blockbusters espíritas "Chico Xavier" e "Nosso Lar" (parece que as pessoas estão mais interessadas sobre o que anda acontecendo no plano terrestre, ainda bem!) e deve superar a maior bilheteria brasileira de 10,7 milhões de espectadores mantida por Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976). Adaptando o que foi dito por Zuenia Ventura sobre "Cidade de Deus", mas que se aplica muito bem nesse caso: "Assistir Tropa de Elite 2 é um dever cívico"!

Essa foi a minha lista com as cinco melhores sequências do cinema. Na próxima postagem eu vou para o lado escuro da força e irei listar as piores sequências do cinema. "Hasta la vista, baby!".

sábado, 2 de outubro de 2010

Top Five: Trilogias

Depois de um longo regime sem postagens, volto agora com as cinco melhores trilogias. Uma trilogia pode ser composta por três filmes que contam partes diferentes da história, como se fosse um começo, meio e fim; pode contar diferentes histórias com os mesmos personagens; ou ainda, terem personagens completamente diferentes em cada filme, mas com uma temática em comum entre eles. Algumas trilogias estão entre as obras mais memoráveis já feitas pelo cinema mundial, como é o caso de "O Senhor dos Anéis", outras depois de um primeiro filme excepcional, perderam completamente o rumo da história, como foi o caso de "Matrix". Alguns filmes tidos como trilogias, como "Star Wars" e os filmes sobre Hannibal Lecter foram excluídos da lista, devido as séries conterem seis e quatro filmes, respectivamente.
A falta de postagens também é justificável, além de ver todos os filmes que estão listados aqui, ainda vi as trilogias que não entraram na lista, ou seja, trabalho em triplo! Então vamos ao que interessa...e os ganhadores são:

5º Lugar: X-Men

Poucos filmes sobre super-heróis baseados em quadrinhos fizeram tanto sucesso como X-Men. Os três filmes tiveram uma boa bilheteria e crítica.

No primeiro filme, "X-Men - O Filme" (X-Men, 2000), os mutantes comandados por Charles Xavier (Patrick Stewart) lutam para ser aceitos na sociedade, enquanto Magneto (Ian McKellen) tenta transformar todos os humanos em mutantes.

Em "X-Men 2" (X-2, 2003), um antigo militar chamado William Stryker (Brain Cox) lidera uma verdadeira caça aos mutantes. Diante dessa situação, os mutantes de Xavier se juntam a Magneto para evitarem a própria morte. Destaque para a participação de Noturno (Alan Cumming) e para a cena de luta entre Wolverine (Hugh Jackman) e Lady Letal (Kelly Hu) nessa sequência.

No último filme da série, "X-Men - O Confronto Final" (X-Men - The Last Stand, 2006), os humanos encontram uma chamada "cura" para os mutantes, que os transformariam em pessoas normais. Agora além de lutar contra a "cura", Wolverine e Tempestade (Halle Bary) terão que enfrentar o exército de mutantes comandados por Magneto além de encarar a fúria da Fênix (Famke Janssen).

Algumas questões lúdicas podem ser tiradas da trilogia sobre os X-Men, como o uso da força para o bem e a aceitação das diferenças. Como sou fã de carteirinha da série, sou suspeito para falar. Os grandes destaques da série são Magneto e Wolverine. Os efeitos especiais são excelentes e a trama é bem desenvolvida ao longo dos três filmes. Vale um adendo, há uma cena final em "X-Men - O confronto final" que só aparece ao término dos créditos finais. Um cena que deve deixar ou deixou muita gente com a pulga atrás da orelha.

Na maioria das trilogias, o terceiro filme sempre tende a ser mais fraco, como é o caso de "Homem-Aranha 3", que nos apresenta um Peter Parker emo e exagerado, embora essas atitudes tenham a ver com a história, eu senti um clima de "forçação" do personagem ao longo de todo o filme. Por mais que os três filmes não tenham nada a ver com as histórias dos quadrinhos e haja um quarto filme sobre os mutantes (X-Men Origins: Wolverine, 2009), que não tem nenhuma relação com as histórias anteriores, X-Men como uma trilogia funciona muito bem, com os três filmes bem conduzidos e cada película superando a anterior.


4º Lugar: Trilogia da Vingança

Pouco conhecida do grande público, essa produção sul-coreana levou o cinema oriental para o mundo todo. Como o próprio nome da trilogia sugere, são três filmes que tem em comum a busca por vingança, advinda das mais variadas causas. Nessa trilogia, não há ligação entre os filmes, cada fita pode ser vista de uma forma independente da outra.

O primeiro filme da trilogia, "Mr. Vingança" (2001), conta a história de Ryu (Shin Ha-kyun), um surdo-mudo que mora com a irmã que precisa com urgência de um transplante de rim. Acreditando conseguir um rim que seja compatível com o de sua irmã, Ryu procura traficantes de órgãos para retirar o seu rim em troca de um para a sua irmã. Ele é enganado pelos traficantes que somem com o órgão. Desiludido, sua amiga revolucionária Cha Yeong-mi (Bae Du Na) dá a idéia de sequestrar a filha de um rico empresário para assim conseguir o dinheiro para o transplante. Infelizmente algo dá errado durante o sequestro, e sucessivas ações de vingança são levadas a cabo. O interessante nesse filme é perceber como um simples acidente pode mudar o destino de várias pessoas.

"Oldboy" (2003), o segundo filme da Trilogia da Vingança, é fantástico. Com certeza, se tivesse visto há mais tempo, ele entraria como um dos melhores filmes da década de 2000-2009 . Oh Dae-su (Min-sik Choi) é aprisionado por um desconhecido durante 15 anos. Após esse período, ele é simplesmente libertado pelo seu detentor. Querendo compreender o porquê de permanecer preso durante 15 anos, Oh Dae-su trava uma busca por vingança, tentando encontrar a qualquer custo aquele que o manteve preso. Porém, ele não sabia dos planos de seu detentor. Misturando hipnose, flashbacks, incesto, romance e violência, esse filme possui um desenrolar extremamente revelador e completamente atraente. Uma obra-prima do cinema sul-coreano. Altamente recomendável!

O último filme da série, "Lady Vingança" (2005), traz agora uma mulher Lee Geum-Ja (Lee Yeong-Ae) buscando por vingança. Lee foi condenada a 13 anos de prisão por participar de um assassinato de uma criança, mas sua prisão foi injusta. Dentro da cadeia ela arquiteta um plano de vingança para punir o verdadeiro assassino. Comparado aos demais filmes da trilogia, esse parece ter uma causa mais nobre para a vingança da protagonista, com meios mais sutis do que os "vingadores" dos filmes anteriores. O interessante nesse filme é a virada da protagonista ao longo do filme: de vilã à mocinha. E quando descobrimos o real motivo que a conduz, a vingança em si não parece nada mais do que justiça.

Uma trilogia muito interessante e que vale a pena ser vista, apresentando os vários aspectos e motivações que levam as pessoas a buscarem por vingança. Para quem está cansado de vampiros branquelos e histórias insonssas, a Trilogia da Vingança do diretor Park Chan-Wook é uma excelente pedida.

3º Lugar: A trilogia do diretor Alejandro González Iñárritu

Novamente aqui não temos filmes que se ligam diretamente, eles podem ser vistos de forma independente. O tema que liga "Amores Brutos", "21 Gramas" e "Babel" são as fortes emoções e os grandes contrastes entre as consequências de determinados fatos que afetam a vida de pessoas que não se conhecem.

"Amores Brutos" (Amores Perros, 2000) foi eleito por mim como um dos dez melhores filmes da década 200-2009 (veja a última postagem de dezembro de 2009). O filme conta a história de três personagens completamente diferentes, um jovem suburbano, uma modelo e um mendigo que se envolvem num acidente de carro que geram consequências distintas para cada um. Além do acidente, o que liga os três personagens é a afeição que cada um possui por cães.

"21 Gramas" (21 Grams, 2003) segue o ritmo do primeiro filme: intenso e perturbador. Vinte e uma gramas é o peso que uma pessoa perde ao morrer, e a morte é o que liga os três personagens desse filme. Jack (Benicio del Toro), um ex-detento convertido, atropela e mata acidentalmente o marido e as duas filhas de Cristina (Naomi Watts). O coração do marido de Cristina é tranplantado para Paul (Sean Penn). Quando Paul descobre como conseguiu o transplante, ele encontra Cristina e tenta consolá-la. Muitos sentimentos são expressos no filme: culpa, redenção, justiça e vingança. Destaque para as excelentes atuações do trio protagonista, sendo Naomi Watts indicada ao Oscar de Melhor Atriz e Benicio del Toro ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.


"Babel" (Babel, 2006) mostra a globalização da consequência dos atos individuais. No Marrocos, duas crianças brincam com uma arma e acabam disparando contra um ônibus cheio de turistas americanos. A bala atinge Susan (Cate Blanchett), que está visitando o país com seu marido Richard (Brad Pitt). Os jornais já chamam o ataque de terrorista. Paralelo a isso, no Japão, a jovem surdo-muda Chieko (Rinko Kikuchi) se nega a falar em decorrência do trauma da morte da mãe, tem uma má relação com seu pai Yasujiro (Kôji Yakusho) e tenta se liberar sexualmente como forma de ser aceita na sociedade. E mais, no continente americano, Amélia (Adriana Barraza) e Santiago (Gael Garcia Bernal) levam os filhos de Susan e Richard para um casamento no México, já que ela teve que ficar por mais tempo com as crianças do que o previsto. Vários problemas acontecem na hora de cruzar a fronteira entre o México e os Estados Unidos. Vários temas são abordados como o terrorismo, xenofobia, egoísmo e sexualidade, mostrando que os seres humanos impõem outras barreiras, além da geográfica para compreender e respeitar o próximo. Com grandes atuações de todo o elenco, "Babel" teve sete indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. Ganhou somente como Melhor Trilha Sonora Original. Trilogia mais do que recomendável para quem gosta de cinema de qualidade.

2º Lugar: O Senhor dos Anéis

Em nenhuma outra lista, a decisão da ordem entre o primeiro e segundo lugar foi tão difícil. Uma obra monumental, com cenas incrivelmente reais e bem produzidas. Efeitos visuais de tirar o fôlego e personagens que entraram para sempre no imaginário popular. Essa ainda é uma descrição fraca para caracterizar a obra máxima de Peter Jackson, "O Senhor dos Anéis". Nessa trilogia, os eventos são conectados temporalmente e os três filmes "A sociedade do anel", "As duas torres" e "O retorno do rei" devem ser vistos como parte de uma única obra.

"O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" (The Lord of the Rings - The Fellowship of the Ring, 2001) é a parte fundamental para se entender a história. Um anel mágico (o Um Anel) é encontrado por hobbits. Esse anel desperta o poder e a cobiça presente no espírito dos homens e é tido como um elemento malévolo, já que foi criado pelo senhor das trevas Sauron que precisa desse anel para escravizar toda a Terra Média. O hobbit Frodo (Elijah Wood) fica encarregado de levar o anel até o único local onde ele pode ser destruído: no mesmo local onde ele foi feito, em Mordor. Para ajudá-lo nessa tarefa cria-se a Sociedade do Anel formada por elfos, anões, hobbits, magos e homens.

Em "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" (The Lord of the Rings - The Two Towers, 2002), a sociedade do anel já não existe e agora cabe a Frodo e Sam (Sean Astin) a difícil tarefa de levar o anel até Mordor, guiados por Gollum, que ao ao mesmo tempo em que ajuda Frodo e Sam tenta recuperar o anel que um dia já foi seu. Quem não lembra da frase: "My precious"?. Também há o combate entre o exército dos homens e o exército de orcs criado por Saruman (Christopher Lee) para ajudar Sauron.

Na última parte da história, "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" (The Lord of the Rings - The Return of the King, 2003) é contado como surgiu Gollum, logo no começo do filme, e o restante é basicamente a guerra entre o exército de Sauron e o exército dos mortos liderados por Aragorn (Viggo Mortensen), o único herdeiro legítimo de Gondor. "O Retorno do Rei" recebeu 11 indicações ao Oscar e ganhou em todas as categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor para Peter Jackson. Um recorde só feito por "Titanic" (1997) e "Ben-Hur" (1959). Verdade seja dita, a Academia não premiou "O Retorno do Rei" como Melhor Filme, ela premiou sim o conjunto da obra. Com cenas panorâmicas incríveis, um ser totalmente digital e uma história que mistura magia e mitologia, "O Senhor dos Anéis" se torna um clássico instantâneo do cinema, figurando ao lado de grandes filmes como "Star Wars".

1º Lugar: O Poderoso Chefão

Assim como o segundo lugar, "O Poderoso Chefão" também é a adptação de um livro. Saindo do mundo da fantasia de Tolkien e entrando no mundo real da obra escrita por Mario Puzo, Francis Ford Coppolla retrata com fidelidade e realismo surpreendente o cotidiano da máfia italiana nos Estados Unidos.

"O Poderoso Chefão" (The Godfather, 1972) conta a história de Don Vito Corleone (Marlon Brando) e sua família, composta principalmente pelos seus cinco filhos. Já no casamento de sua filha Connie (Talia Shire), Don Vito recebe visitas em seus escritório onde conhecidos e amigos vem lhe pedir favores. Já na primeira cena em que aparece o personagem de Brando, percebe-se o tom dado a ele, primeiro mostra-se o rosto do amigo e conforme a câmera avança surge o vulto do personagem filmado pelas costas. Somente depois de alguma palavras é mostrado ao espectador as feições de Don Vito. Simplesmente genial! Como todo mafioso ele utiliza métodos nada convencionais para conseguir aquilo que deseja. Alguns críticos veem Don Corleone como um vilão. Eu não interpreto dessa forma. Apesar de tudo ele valoriza, e muito, a fidelidade e amizade dos amigos e nada do que ele faz é em vão. Destaque para a atuação de Al Pacino como Michael, o filho mais novo de Don Vito, e virá a se tornar o novo "padrinho" após a morte de Don Vito. O filme foi e continua sendo um sucesso de crítica e público, com cenas memoráveis como o casamento de Connie, o assassinato de Sonny (James Caan), um dos filhos de Vito, e a cabeça do cavalo na cama de um produtor de cinema. O filme recebeu 11 indicações ao Oscar, vencendo nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Ator para Marlon Brando. Brando se recusou a recebeu o prêmio e mandou uma falsa índia em seu lugar para protestar sobre como os nativos são tratados nos EUA. "O Poderoso Chefão" é um dos recordistas em indicações por atuação masculina. Além da indicação de Marlon Brando para Melhor Ator, o filme teve outras três indicações para Melhor Ator Coadjuvante: Al Pacino, James Caan e Robert Duvall, totalizando quatro indicações para atores. Como toda premiação, cometeram uma injustiça, ao invés de premiarem Al Pacino como Ator Coadjuvante, quem ganhou o Oscar foi Joel Gray por "Cabaret". Al Pacino foi indicado posteriormenteao Oscar de Melhor Ator por "O Poderoso Chefão Parte II" (1974), mas não venceu. A Academia só iria se redimir com Al Pacino em 1992, quando ele finalmente venceu por "Perfume de Mulher". Mas as suas atuações em qualquer filme da trilogia de "O Poderoso Chefão" é superior a de "Perfurme". Coisas da Academia...


Em "O Poderoso Chefão Parte II" (1974), Michael (Al Pacino) é o novo "padrinho". Interessante notar no primeiro filme a evolução do personagem até se tornar Don Michael. O filme é igualmente interessante ao primeiro e mantém o mesmo ritmo. Nessa sequência, Michael luta contra a perseguição de outras famílias mafiosas e contra o governo federal, que tenta incriminá-lo a qualquer preço. Paralela a história de Michael, há flashbacks contando a juventude de Vito Corleone na Itália e após a imigração para os Estados Unidos, interpretado brilhantemente por Robert De Niro, mantendo as características criadas por Brando para o persnagem. O filme vai mais fundo na personalidade de Michael, com difíceis escolhas a serem tomadas, como a morte encomendada de seu irmão Fredo (John Cazale), após uma traição. O filme teve 11 indicações ao Oscar, vencendo nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor para Francis Ford Coppola, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante para Robert De Niro, Melhor Direção de Arte e Melhor Música. Também teve quatro indicações para as atuações masculinas: Al Pacino (indicado a Melhor Ator), Robert De Niro, Michael Gazzo e Lee Strasberg (indicados a Melhor Ator Coadjuvante).

"O Poderoso Chefão Parte III (1990)" mostra um Michael atormentado pelas atitudes do passado: divórcio, assassinato do irmão e o distanciamento dos filhos. Arrependido, Michael tenta legalizar os negócios da família com a ajuda da igreja e vê no sobrinho Vincent (Andy Garcia), filho de Sony, a chance de passar o bastão de "padrinho" e esperar por uma redenção. O filme não é tão bom quanto os dois primeiros, mas mantém o interesse do espectador ao longo das suas quase três horas de duração. A cena final da morte de Michael é belíssima, assim como a cena da morte de Vito Corleone na primeira fita. O único porém do filme é a atuação de Sofia Coppola como a filha Mary de Michael. É visível que ela está perdida em cena, mas não chega a danificar a obra com um todo. "O Poderoso Chefão Parte III" foi indicado a sete categorias no Oscar incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor para Coppola e Melhor Ator Coadjuvante para Andy Garcia.

Apesar de Coppola não considerar "O Poderoso Chefão" como uma trilogia (seriam dois filmes e um epílogo), o diretor fez a sua obra máxima e três obras clássicas e obrigatórias para se ver. "O Poderoso Chefão" conseguiu o que nenhum outro filme de Hollywood jamais conseguiu: ter duas partes das suas sequências premiadas com o Oscar de Melhor Filme. E não poderia ser diferente. Um verdadeiro clássico com personagens e cenas inesquecíveis. Definitivamente a melhor trilogia que eu já vi.

Bom, estas foram as minhas dicas. Escolha um final de semana e uma dessas cinco trilogias e boa sessão! Bons filmes!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Top 10: Melhores histórias de amor


Dias dos Namorados se aproximando, frio em boa parte do Brasil... Nada melhor para os enamorados de plantão do que
tomar um bom vinho e assistir um filme romântico no conforto do sofá ou da cama. Sendo assim, nada mais justo do que listar as dez melhores histórias de amor do cinema para se ver em boa companhia. Das histórias mais comuns às mais improváveis, sempre embaladas por uma canção ou uma frase que fica na cabeça por dias a fio... "E os indicados são":

10º Lugar: ... E o vento levou (Gone with the wind, 1939)


Se há um filme que define a palavra "clássico" no cinema, esse filme com certeza é ... E o vento levou.
Baseado na obra homônima de Margareth Mitchel, essa superprodução da MGM, filmado a cores numa época em que todos os filmes eram em preto e branco, apresenta imagens grandiosas, com figurinos e cenários exuberantes e personagens inesquecíveis. ... E o vento levou conta a história de Scarlett O'Hara (Vivien Leigh), a filha mimada de um colonizador irlandês que vive no sul dos Estados Unidos. Scarlett adora ter a atenção de todos os homens solteiros a sua volta, contudo nutre uma paixão pelo único homem que não lhe dá tanta atenção assim, Ashley Wilkes (Leslie Howard). No entanto, Ashley está comprometido com Melanie Hamilton (Olivia de Havilland). Após se declarar a Ashley e ser dispensada por ele, Scarlett aceita se casar com o irmão de Melanie. Paralelo a isso, os yankees do norte declaram guerra aos estados escravistas do sul. Tinha início a famosa Guerra de Secessão. Imediatamente Ashley e o marido de Scarlett se alistam ao exército. Scarlett fica viúva, seu marido morre antes mesmo de entrar em combate, e ela vai morar em Atlanta na casa de Melanie; a forma que ela encontrou de estar perto de Ashley. Em meio a tudo isso, Scarlett conhece Reth Butler (Clark Gable), um homem interessado mais em si próprio do que nos problemas políticos do país. O que se segue é a invasão de Atlanta pelos yankees e a completa destruição das cidades e fazendas do sul. Com o final da guerra e, numa tentativa de fugir ao ataque yankee, Scarlett pede ajuda a Reth para levá-la de volta a Tara, a fazenda de seu pai. Voltando para Tara, Scarlett encontra sua mãe morta, seu pai louco e a companhia na fome e da miséria. É inclusive nessa parte que ela, com um punhado de terra na mão, fala a famosa frase: "Nunca mais passarei fome em minha vida" (uma das várias cenas clássicas). Com esse pensamento, ela pede a Mammy (Hattie McDaniel) que faça um vestido de uma cortina e segue para Atlanta, onde pedirá ajuda a Reth. Ele a nega, e então Scarlett se casa com o homem que está comprometido com sua irmã, pois vê que seus negócios estão prosperando. Após um tempo, seu marido é assassinado e Reth, que já tinha interesse em Scarlett, a pede em casamento, já que ele diz que ambos são iguais em sua essência. No entanto, Reth sabe que Scarlett não esqueceu Ashley. Somente no final do filme, Scarlett percebe que realmente amava Reth, mas para ele seria tarde demais. O final fica em aberto, com Scarlett voltando a Tara e prometendo reconquistar Reth.

Há que se fazer justiça que o centro do filme não é o romance entre Scarlett e Reth, é sim, muito mais a história da própria Scarlett, que se vê obrigada a deixar o conforto e enfrentar todas as situações impostas por um guerra civil. Contudo, o relacionamento dos dois é impulsivo e cheio de altos e baixos. Vale destacar a postura de Reth, que nos momentos de fúria de Scarlett, só ele sabe como acalmá-la. Com quase quatro horas de duração, é difícil traçar uma sinopse curta dessa obra. ...E o vento levou recebeu treze indicações ao Oscar e levou oito: Melhor Filme, Melhor Diretor (Victor Fleming), Melhor Atriz (Vivien Leigh), Melhor Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniel, a primeira atriz negra a ser indicada e a ganhar um Oscar), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Montagem. Levou ainda dois Oscar honorários: pelo pioneirismo no uso de cores e pela inovação técnica. Naquela época, o cinema ainda não tinha presenciado cenas complexas como incêndios e cenas que exigiam um grande número de atores/figurantes. Duas curiosidades interessantes sobre o filme: (i) os prédios em chamas em Atlanta eram, na verdade, os cenários da versão original de King Kong (1933) e (ii) boa parte dos combatentes sulistas feridos que estavam deitados nas ruas de Atlanta enquanto Scarlett caminha entre eles eram bonecos de pano. As únicas falhas do filme são a longuíssima duração (uma tarefa árdua na correria dos dias de hoje) e a visão extremamente romanceada do escravismo sulista. Os negros são vistos como servos fiéis aos seus senhores, indo cavar trincheiras para os sulistas cantarolando e com um sorriso largo no rosto, além de alguns serem vistos como incompetentes, ou até mesmo, vagabundos. Poderia fazer uma postagem falando somente das histórias desse filme, mas o que fica mesmo é a imponência visual das cenas e seu inesquecível casal protagonista, Scarlett e Reth, numa das obras mais memoráveis da história do cinema.

9º Lugar: Um lugar chamado Nothing Hill (Nothing Hill, 1999)

O amor entre uma estrela de cinema e um sujeito normal, dono de uma pequena livraria. Essa é a história de amor entre Anna Scott (Julia Roberts) e Will (Hugh Grant). Anna conhece Will na sua pequena livraria enquanto divulga seu novo filme na Inglaterra. Ela compra uns exemplares e vai embora, e Will fica com aquele olhar de "nunca mais a verei". Entretanto, enquanto caminha na rua com seu capuccino, ele trompa em Anna deixando a sua roupa completamente manchada. Ela vai até a casa dele, onde pode vestir outra peça e, ela acaba se interessando por Will, um rapaz mais do que atrapalhado. O filme é cheio de idas e vindas entre os dois, mas um dos grandes destaques do filme são os amigos de Will, que apesar de serem "perdedores" sempre encontram motivos para rirem de si próprios. O filme é cheio de clichês, como por exemplo o namorado que surge do nada quando a relação parece estar indo no caminho certo e a corrida para alcançar Anna antes que ela embarque, até o final feliz. Um prato cheio para o deleite dos casais, sem comentar na belíssima canção interpretada por Elvis Costello, She, que encerra com chave de ouro o filme. Uma das melhores comédias românticas com Julia Roberts.

8º Lugar: Romeu + Julieta (Romeu + Julieta, 1996)

Claro que a história de amor mais famosa do mundo não poderia ficar de fora dessa lista. Esta adaptação da obra clássica de William Shakespeare, traz Romeu e Julieta dentro de um contexto urbano moderno e violento, onde as famílias Capuleto e Montecchio dominam boa parte da cidade. Esta, na minha opinião, é a melhor adaptação da obra de Shakespeare, tendo Leonardo DiCaprio no papel de Romeu e Claire Danes no papel de Julieta. O casal de jovens atores se saiu muito bem e convenceram nos papéis. Acho que não cabe aqui fazer uma sinopse da história de Romeu e Julieta, mas cabe indicar essa interessante adaptação que atraiu o público jovem para uma história secular.

7º Lugar: Uma linda mulher (Pretty Woman, 1990)

O sonho de toda mulher romântica, pode ser traduzido no filme que levou Julia Roberts ao estrelato e lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Uma linda mulher conta a história de uma prostituta, Vivian (Julia Roberts) que é contratada por Edward (Richard Gere) para ser sua acompanhante durante uma semana de negócios em Los Angeles. Edward dá acesso ilimitado ao seu cartão de crédito para que Vivian compre roupas mais adequadas nas botiques mais caras de Beverlly Hills, numa das sequências mais engraçadas do filme. Como era de se esperar, Vivian se apaixona por Edward. E, como toda comédia-romântica, o casal se separa em determinado momento e depois reata com declarações em públicos. Clichê? Sim, mas é o que todos esperam quando assistem a filmes desse gênero. Na verdade, Uma linda mulher impulsionou boa parte dos comédias românticas vistas nos últimos 20 anos e atraiu muitos telespectadores que apreciam esse gênero. Julia Roberts foi alçada a "queridinha da América", curiosamente, interpretando uma prostituta, fato que é facilmente ignorado pelo telespectador ao longo do filme pelo seu charme e carisma. Na verdade, Julia Roberts deve agradecer imensamente a Molly Ringwald, a queridinha de John Hughes durante os anos 80 que fez filmes como Gatinhas e Gatões e A garota de rosa-choque, que recusou o convite de Garry Marshall para viver o papel de Vivian. Sorte para Julia Roberts e azar para Molly, que dos anos 90 para cá fez somente participações em poucos filmes B. Vale destacar a trilha sonora de Uma linda mulher, principalmente a canção-tema do filme, Pretty Woman, interpretada por Roy Orbison. Uma história cativante e engraçada, que com certeza está na memória de muitas pessoas mundo a fora.

6º Lugar: Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)

Eleito por mim como um dos dez melhores filmes da década (2000-2009), Brilho eterno não poderia ficar de fora dessa lista. Clementine (Kate Winslet) decide apagar da memória todas as lembranças que tem de seu namorado Joel (Jim Carrey) porque acredita que sua relação com ele está fadada ao fracasso. Ao saber disso, Joel também resolve se submeter a esse processo de limpeza de memória, mas durante tal processo ele luta dentro de suas memórias para guardar alguma lembrança de Clementine. Como já falei aqui, o roteiro é originalíssimo e vale muito a pena conferir.

5º Lugar: Casablanca (Casablanca, 1942)

Outro filme que leva o título de "clássico". Casablanca é nome de uma cidade marroquina sob domínio da França, tida como o penúltimo ponto de partida para a América, durante a Segunda Guerra Mundial. A história é sobre Rick (Humprey Bogart), o dono de um bar-cassino, cujo local abriga todo tipo de facção política, desde americanos tentando voltar para casa, nazistas, franceses... Rick não é do tipo que tem muito amigos, justamente por isso Ugarte (Peter Lorre), um vigarista que consegue passagens para quem quiser voltar para a América, entrega para Rick duas passagens. Em seguida, Ugarte é preso e assassinado. A polícia tenta localizar as passagens, mas Rick se faz de desentendido, mantendo-as consigo. Contudo, Rick não sabia que as passagens eram para Victor Lazlo (Paul Henreid) e sua grande paixão do passado, Ilsa (Ingrid Bergman). A história de amor vivida por Rick e Ilsa é contada na forma de flashback, durante a época em que eles viviam na França ainda não ocupada pelos nazistas. Um amor intenso, repleto de juras e planos para o futuro. Um pouco antes da invasão alemã, Rick planeja fugir com Ilsa, e combinam de se encontrar na estação de trem. Para a desilução de Rick, Ilsa não aparece. Após o reencontro em Casablanca, ambos sentem saudades do amor vivido na França ("Nós sempre teremos Paris", em umas das frases clássicas), Rick então descobre o motivo de Ilsa tê-lo abandonado, e mais uma vez planejam fugir, dessa vez com Ilsa abandonando Victor. Se a fuga sairá como planejada, fica para quem ver ou para quem já viu o filme. Com um roteiro inteligente, Casablanca cativa o telespectador com a história de Richard e Ilsa, ainda mais embalada com a inesquecível canção "As time goes by", que quase transporta o telespectador para dentro do filme, além de frases clássicas como "Esse é o início de uma bela amizade" e "Eu sei que jamais terei forças para deixá-lo novamente". Uma excelente história que vale a pena ser vista. Casablanca é tido como um dos melhores filmes de todos os tempos pela crítica especializada, sendo premiado com o Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção (Michael Curtiz) e Melhor Roteiro. Realmente vale a pena conferir.

4º Lugar: Cidade dos Anjos (City of Angels, 1998)

O amor na sua forma mais improvável acontece em Cidade dos Anjos. Seth (Nicolas Cage) é um anjo que consola aqueles que estão a beira da morte. Maggie (Meg Ryan) é uma médica que não acredita em fenômenos sobrenaturais, mas após perder um paciente fica muito abalada e começa a perceber a presença de algo que não consegue explicar. Seth vai se aproximando cada vez mais de Maggie, mas como é um anjo ele não sente o toque, calor, frio, vento... Decidido a viver esse amor, ele abre mão da sua condição e se torna mortal. Cidade dos Anjos é um belíssimo filme, que foge do clichê final e mistura romantismo com espiritualidade muito bem. Destaque para a música-tema do filme, Iris, interpretada pelo Go Go Dolls.

3º Lugar: Diário de uma paixão (The notebook, 2004)

O amor de uma vida inteira. Assim pode ser definido a história vivida por Allie (Rachel McAdams) e Noah (Ryan Gosling). O filme começa em uma clínica geriátrica, onde uma idosa está internada por sofrer do mal de Alzheimer. Duke, um amigo dessa idosa que também está internado, conta a história de amor vivida pelos jovens Allie e Noah. O jovem casal de apaixonou em 1940, mas a relação não era bem vista pela mãe de Allie, já que Noah era um rapaz de classe inferior. Como forma de evitar o relacionamento da filha com Noah, a família de Allie se muda para longe. Contudo, a mudança não apaga o amor de Noah, que escreve para Allie diariamente. Infelizmente, as cartas nunca chegaram nas mãos de Allie, pois sua mãe as escondia. Passado um tempo, e como nunca mais tivera notícias de Noah, Allie aceita o pedido de casamento de Lon Hammond Jr. (James Marsden, o Ciclope de X-Men). No entanto, ela reencontraria Noah no futuro, e todo o sentimento que ela julgava ter acabado ressurge. A história não é tão original, mas o grande valor do filme está no final, que apesar de ser previsível, emociona. O elenco, apesar de jovem, se sai muito bem. No quesito romance, não há como não indicar esse filme. Vale a pena conferir.


2º Lugar: Titanic (Titanic, 1997)

Uma história de amor a bordo do maior navio até então já construído. Titanic, como o mundo inteiro sabe, conta a história de Jack (Leonardo DiCaprio), um jovem pintor sem paradeiro certo, e Rose (Kate Winslet), uma jovem de família nobre. Jack conhece Rose quando esta tenta saltar do navio, cansada da sua vida de aparências na alta sociedade. Como forma de retribuição por ter salvado a vida de Rose, Cal (Billy Zane), noivo de Rose, convida Jack para um jantar. A partir disso, o interesse de Jack por Rose só aumenta, e culmina por fim na clássica cena em que ambos estão na proa do navio, e ela com os braços abertos diz: "Estou voando, Jack". Após a frase, Jack canta uma música ao pé do ouvido de Rose, há o toque delicado das mãos, o abraço e por fim, o primeiro beijo do casal, na cena mais romântica do filme.

Os adoradores de Avatar que me desculpem, mas essa com certeza é a cena mais clássica produzida por James Cameron. Entretanto, como na maioria das histórias de amor no cinema, nem todos os finais são felizes. Após colidir com um iceberg, o Titanic encontra seu final, antes mesmo de chegar ao seu destino. Inicia-se uma violenta luta pela sobrevivência, já que não há botes salva-vidas para todos. O "insubmergível" navio titânico, finalmente afunda, numa das sequências mais espetaculares e reais do cinema moderno. Jack e Rose conseguem escapar do naufrágio com vida, mas como o resgate dos botes demora a chegar, Jack acaba morrendo e somente Rose é resgatada. James Cameron acertou o tom em todos os focos que o filme deu, no romance entre Jack e Rose e no trágico final, com cenas grandiosas e complexas. A cena que o Titanic se parte ao meio é uma cena que eu não me canso de rever, dado o imenso realismo e perfeição com que foi feita. Aliás a perfeição é a obsessão de James Cameron. Ele exigiu cópias fiéis de tudo que havia no navio, desde a prataria até os cômodos, incluindo uma réplica de 230m do transatlântico, o que tornou Titanic um dos filmes mais caros já produzidos. Isso não foi problema, porque ele faturou a maior bilheteria do mundo, sendo superado somente por Avatar, também de Cameron. Alías, enquanto a febre 3-D não termina, Cameron está convertendo a sua versão original de Titanic para uma versão 3-D. Sinceramente, não sei para quê. Pior ainda é a pseudo-sequência que está para ser lançada, Titanic 2 (sim, é verdade, mas isso é assunto para a próxima postagem). Por fim, falem o que quiserem, mas Titanic é sim um clássico e merece o seu lugar ao sol, ao lado de obras como ...E o vento levou (1939) e Casablanca (1942).


1º Lugar: Ghost, do outro lado da vida (Ghost, 1990)

Um clássico! Uma história de amor além da vida. Sam (Patrick Swayze) e Molly (Demi Moore) fazem um bonito e promissor casal, até que, numa noite Sam é assassinado. No entanto, sua alma fica para proteger Molly das más intenções de seu ambicioso colega de trabalho Carl (Tony Goldwin). Como não consegue se comunicar com Molly, Sam pede ajuda a Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma falsa médium que acaba descobrindo que realmente possui o dom. A partir de então, Oda Mae tenta de todas as formas convencer Molly de que Sam ainda está com ela. O filme é muito bem feito, com doses de drama, romance e humor na medida certa. Aliás, o humor é devido à participação de Whoopi Goldberg, numa interpretação hilária, que a rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Levou ainda o Oscar de Melhor Roteiro Original, e foi indicado a Melhor Filme, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora, com a inesquecível a canção Unchained Melody, interpretada por Righteous Brothers. O casal formado por Patrick Swayze e Demi Moore é um dos mais cativos de toda a história do cinema e um dos que mais emocionaram. Boa parte do público feminino, e porque não dizer de alguns machões também, derramaram algumas lágrimas na despedida de Sam e Molly. Um amor tão forte, que nem a morte foi capaz de separar só pode render a melhor história de amor do cinema.


É difícil falar desses filmes sem soar piegas, mas tentei mostrar o lado romântico de cada um e as várias formas de amor que o cinema já representou. Afinal, o amor é e ainda será tema de muitos filmes que estão por vir. Então, escolha um da lista, chame a sua (seu) namorada (o) e aproveitem. Bom filme e até a próxima!