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sábado, 2 de outubro de 2010

Top Five: Trilogias

Depois de um longo regime sem postagens, volto agora com as cinco melhores trilogias. Uma trilogia pode ser composta por três filmes que contam partes diferentes da história, como se fosse um começo, meio e fim; pode contar diferentes histórias com os mesmos personagens; ou ainda, terem personagens completamente diferentes em cada filme, mas com uma temática em comum entre eles. Algumas trilogias estão entre as obras mais memoráveis já feitas pelo cinema mundial, como é o caso de "O Senhor dos Anéis", outras depois de um primeiro filme excepcional, perderam completamente o rumo da história, como foi o caso de "Matrix". Alguns filmes tidos como trilogias, como "Star Wars" e os filmes sobre Hannibal Lecter foram excluídos da lista, devido as séries conterem seis e quatro filmes, respectivamente.
A falta de postagens também é justificável, além de ver todos os filmes que estão listados aqui, ainda vi as trilogias que não entraram na lista, ou seja, trabalho em triplo! Então vamos ao que interessa...e os ganhadores são:

5º Lugar: X-Men

Poucos filmes sobre super-heróis baseados em quadrinhos fizeram tanto sucesso como X-Men. Os três filmes tiveram uma boa bilheteria e crítica.

No primeiro filme, "X-Men - O Filme" (X-Men, 2000), os mutantes comandados por Charles Xavier (Patrick Stewart) lutam para ser aceitos na sociedade, enquanto Magneto (Ian McKellen) tenta transformar todos os humanos em mutantes.

Em "X-Men 2" (X-2, 2003), um antigo militar chamado William Stryker (Brain Cox) lidera uma verdadeira caça aos mutantes. Diante dessa situação, os mutantes de Xavier se juntam a Magneto para evitarem a própria morte. Destaque para a participação de Noturno (Alan Cumming) e para a cena de luta entre Wolverine (Hugh Jackman) e Lady Letal (Kelly Hu) nessa sequência.

No último filme da série, "X-Men - O Confronto Final" (X-Men - The Last Stand, 2006), os humanos encontram uma chamada "cura" para os mutantes, que os transformariam em pessoas normais. Agora além de lutar contra a "cura", Wolverine e Tempestade (Halle Bary) terão que enfrentar o exército de mutantes comandados por Magneto além de encarar a fúria da Fênix (Famke Janssen).

Algumas questões lúdicas podem ser tiradas da trilogia sobre os X-Men, como o uso da força para o bem e a aceitação das diferenças. Como sou fã de carteirinha da série, sou suspeito para falar. Os grandes destaques da série são Magneto e Wolverine. Os efeitos especiais são excelentes e a trama é bem desenvolvida ao longo dos três filmes. Vale um adendo, há uma cena final em "X-Men - O confronto final" que só aparece ao término dos créditos finais. Um cena que deve deixar ou deixou muita gente com a pulga atrás da orelha.

Na maioria das trilogias, o terceiro filme sempre tende a ser mais fraco, como é o caso de "Homem-Aranha 3", que nos apresenta um Peter Parker emo e exagerado, embora essas atitudes tenham a ver com a história, eu senti um clima de "forçação" do personagem ao longo de todo o filme. Por mais que os três filmes não tenham nada a ver com as histórias dos quadrinhos e haja um quarto filme sobre os mutantes (X-Men Origins: Wolverine, 2009), que não tem nenhuma relação com as histórias anteriores, X-Men como uma trilogia funciona muito bem, com os três filmes bem conduzidos e cada película superando a anterior.


4º Lugar: Trilogia da Vingança

Pouco conhecida do grande público, essa produção sul-coreana levou o cinema oriental para o mundo todo. Como o próprio nome da trilogia sugere, são três filmes que tem em comum a busca por vingança, advinda das mais variadas causas. Nessa trilogia, não há ligação entre os filmes, cada fita pode ser vista de uma forma independente da outra.

O primeiro filme da trilogia, "Mr. Vingança" (2001), conta a história de Ryu (Shin Ha-kyun), um surdo-mudo que mora com a irmã que precisa com urgência de um transplante de rim. Acreditando conseguir um rim que seja compatível com o de sua irmã, Ryu procura traficantes de órgãos para retirar o seu rim em troca de um para a sua irmã. Ele é enganado pelos traficantes que somem com o órgão. Desiludido, sua amiga revolucionária Cha Yeong-mi (Bae Du Na) dá a idéia de sequestrar a filha de um rico empresário para assim conseguir o dinheiro para o transplante. Infelizmente algo dá errado durante o sequestro, e sucessivas ações de vingança são levadas a cabo. O interessante nesse filme é perceber como um simples acidente pode mudar o destino de várias pessoas.

"Oldboy" (2003), o segundo filme da Trilogia da Vingança, é fantástico. Com certeza, se tivesse visto há mais tempo, ele entraria como um dos melhores filmes da década de 2000-2009 . Oh Dae-su (Min-sik Choi) é aprisionado por um desconhecido durante 15 anos. Após esse período, ele é simplesmente libertado pelo seu detentor. Querendo compreender o porquê de permanecer preso durante 15 anos, Oh Dae-su trava uma busca por vingança, tentando encontrar a qualquer custo aquele que o manteve preso. Porém, ele não sabia dos planos de seu detentor. Misturando hipnose, flashbacks, incesto, romance e violência, esse filme possui um desenrolar extremamente revelador e completamente atraente. Uma obra-prima do cinema sul-coreano. Altamente recomendável!

O último filme da série, "Lady Vingança" (2005), traz agora uma mulher Lee Geum-Ja (Lee Yeong-Ae) buscando por vingança. Lee foi condenada a 13 anos de prisão por participar de um assassinato de uma criança, mas sua prisão foi injusta. Dentro da cadeia ela arquiteta um plano de vingança para punir o verdadeiro assassino. Comparado aos demais filmes da trilogia, esse parece ter uma causa mais nobre para a vingança da protagonista, com meios mais sutis do que os "vingadores" dos filmes anteriores. O interessante nesse filme é a virada da protagonista ao longo do filme: de vilã à mocinha. E quando descobrimos o real motivo que a conduz, a vingança em si não parece nada mais do que justiça.

Uma trilogia muito interessante e que vale a pena ser vista, apresentando os vários aspectos e motivações que levam as pessoas a buscarem por vingança. Para quem está cansado de vampiros branquelos e histórias insonssas, a Trilogia da Vingança do diretor Park Chan-Wook é uma excelente pedida.

3º Lugar: A trilogia do diretor Alejandro González Iñárritu

Novamente aqui não temos filmes que se ligam diretamente, eles podem ser vistos de forma independente. O tema que liga "Amores Brutos", "21 Gramas" e "Babel" são as fortes emoções e os grandes contrastes entre as consequências de determinados fatos que afetam a vida de pessoas que não se conhecem.

"Amores Brutos" (Amores Perros, 2000) foi eleito por mim como um dos dez melhores filmes da década 200-2009 (veja a última postagem de dezembro de 2009). O filme conta a história de três personagens completamente diferentes, um jovem suburbano, uma modelo e um mendigo que se envolvem num acidente de carro que geram consequências distintas para cada um. Além do acidente, o que liga os três personagens é a afeição que cada um possui por cães.

"21 Gramas" (21 Grams, 2003) segue o ritmo do primeiro filme: intenso e perturbador. Vinte e uma gramas é o peso que uma pessoa perde ao morrer, e a morte é o que liga os três personagens desse filme. Jack (Benicio del Toro), um ex-detento convertido, atropela e mata acidentalmente o marido e as duas filhas de Cristina (Naomi Watts). O coração do marido de Cristina é tranplantado para Paul (Sean Penn). Quando Paul descobre como conseguiu o transplante, ele encontra Cristina e tenta consolá-la. Muitos sentimentos são expressos no filme: culpa, redenção, justiça e vingança. Destaque para as excelentes atuações do trio protagonista, sendo Naomi Watts indicada ao Oscar de Melhor Atriz e Benicio del Toro ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.


"Babel" (Babel, 2006) mostra a globalização da consequência dos atos individuais. No Marrocos, duas crianças brincam com uma arma e acabam disparando contra um ônibus cheio de turistas americanos. A bala atinge Susan (Cate Blanchett), que está visitando o país com seu marido Richard (Brad Pitt). Os jornais já chamam o ataque de terrorista. Paralelo a isso, no Japão, a jovem surdo-muda Chieko (Rinko Kikuchi) se nega a falar em decorrência do trauma da morte da mãe, tem uma má relação com seu pai Yasujiro (Kôji Yakusho) e tenta se liberar sexualmente como forma de ser aceita na sociedade. E mais, no continente americano, Amélia (Adriana Barraza) e Santiago (Gael Garcia Bernal) levam os filhos de Susan e Richard para um casamento no México, já que ela teve que ficar por mais tempo com as crianças do que o previsto. Vários problemas acontecem na hora de cruzar a fronteira entre o México e os Estados Unidos. Vários temas são abordados como o terrorismo, xenofobia, egoísmo e sexualidade, mostrando que os seres humanos impõem outras barreiras, além da geográfica para compreender e respeitar o próximo. Com grandes atuações de todo o elenco, "Babel" teve sete indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. Ganhou somente como Melhor Trilha Sonora Original. Trilogia mais do que recomendável para quem gosta de cinema de qualidade.

2º Lugar: O Senhor dos Anéis

Em nenhuma outra lista, a decisão da ordem entre o primeiro e segundo lugar foi tão difícil. Uma obra monumental, com cenas incrivelmente reais e bem produzidas. Efeitos visuais de tirar o fôlego e personagens que entraram para sempre no imaginário popular. Essa ainda é uma descrição fraca para caracterizar a obra máxima de Peter Jackson, "O Senhor dos Anéis". Nessa trilogia, os eventos são conectados temporalmente e os três filmes "A sociedade do anel", "As duas torres" e "O retorno do rei" devem ser vistos como parte de uma única obra.

"O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" (The Lord of the Rings - The Fellowship of the Ring, 2001) é a parte fundamental para se entender a história. Um anel mágico (o Um Anel) é encontrado por hobbits. Esse anel desperta o poder e a cobiça presente no espírito dos homens e é tido como um elemento malévolo, já que foi criado pelo senhor das trevas Sauron que precisa desse anel para escravizar toda a Terra Média. O hobbit Frodo (Elijah Wood) fica encarregado de levar o anel até o único local onde ele pode ser destruído: no mesmo local onde ele foi feito, em Mordor. Para ajudá-lo nessa tarefa cria-se a Sociedade do Anel formada por elfos, anões, hobbits, magos e homens.

Em "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" (The Lord of the Rings - The Two Towers, 2002), a sociedade do anel já não existe e agora cabe a Frodo e Sam (Sean Astin) a difícil tarefa de levar o anel até Mordor, guiados por Gollum, que ao ao mesmo tempo em que ajuda Frodo e Sam tenta recuperar o anel que um dia já foi seu. Quem não lembra da frase: "My precious"?. Também há o combate entre o exército dos homens e o exército de orcs criado por Saruman (Christopher Lee) para ajudar Sauron.

Na última parte da história, "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" (The Lord of the Rings - The Return of the King, 2003) é contado como surgiu Gollum, logo no começo do filme, e o restante é basicamente a guerra entre o exército de Sauron e o exército dos mortos liderados por Aragorn (Viggo Mortensen), o único herdeiro legítimo de Gondor. "O Retorno do Rei" recebeu 11 indicações ao Oscar e ganhou em todas as categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor para Peter Jackson. Um recorde só feito por "Titanic" (1997) e "Ben-Hur" (1959). Verdade seja dita, a Academia não premiou "O Retorno do Rei" como Melhor Filme, ela premiou sim o conjunto da obra. Com cenas panorâmicas incríveis, um ser totalmente digital e uma história que mistura magia e mitologia, "O Senhor dos Anéis" se torna um clássico instantâneo do cinema, figurando ao lado de grandes filmes como "Star Wars".

1º Lugar: O Poderoso Chefão

Assim como o segundo lugar, "O Poderoso Chefão" também é a adptação de um livro. Saindo do mundo da fantasia de Tolkien e entrando no mundo real da obra escrita por Mario Puzo, Francis Ford Coppolla retrata com fidelidade e realismo surpreendente o cotidiano da máfia italiana nos Estados Unidos.

"O Poderoso Chefão" (The Godfather, 1972) conta a história de Don Vito Corleone (Marlon Brando) e sua família, composta principalmente pelos seus cinco filhos. Já no casamento de sua filha Connie (Talia Shire), Don Vito recebe visitas em seus escritório onde conhecidos e amigos vem lhe pedir favores. Já na primeira cena em que aparece o personagem de Brando, percebe-se o tom dado a ele, primeiro mostra-se o rosto do amigo e conforme a câmera avança surge o vulto do personagem filmado pelas costas. Somente depois de alguma palavras é mostrado ao espectador as feições de Don Vito. Simplesmente genial! Como todo mafioso ele utiliza métodos nada convencionais para conseguir aquilo que deseja. Alguns críticos veem Don Corleone como um vilão. Eu não interpreto dessa forma. Apesar de tudo ele valoriza, e muito, a fidelidade e amizade dos amigos e nada do que ele faz é em vão. Destaque para a atuação de Al Pacino como Michael, o filho mais novo de Don Vito, e virá a se tornar o novo "padrinho" após a morte de Don Vito. O filme foi e continua sendo um sucesso de crítica e público, com cenas memoráveis como o casamento de Connie, o assassinato de Sonny (James Caan), um dos filhos de Vito, e a cabeça do cavalo na cama de um produtor de cinema. O filme recebeu 11 indicações ao Oscar, vencendo nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Ator para Marlon Brando. Brando se recusou a recebeu o prêmio e mandou uma falsa índia em seu lugar para protestar sobre como os nativos são tratados nos EUA. "O Poderoso Chefão" é um dos recordistas em indicações por atuação masculina. Além da indicação de Marlon Brando para Melhor Ator, o filme teve outras três indicações para Melhor Ator Coadjuvante: Al Pacino, James Caan e Robert Duvall, totalizando quatro indicações para atores. Como toda premiação, cometeram uma injustiça, ao invés de premiarem Al Pacino como Ator Coadjuvante, quem ganhou o Oscar foi Joel Gray por "Cabaret". Al Pacino foi indicado posteriormenteao Oscar de Melhor Ator por "O Poderoso Chefão Parte II" (1974), mas não venceu. A Academia só iria se redimir com Al Pacino em 1992, quando ele finalmente venceu por "Perfume de Mulher". Mas as suas atuações em qualquer filme da trilogia de "O Poderoso Chefão" é superior a de "Perfurme". Coisas da Academia...


Em "O Poderoso Chefão Parte II" (1974), Michael (Al Pacino) é o novo "padrinho". Interessante notar no primeiro filme a evolução do personagem até se tornar Don Michael. O filme é igualmente interessante ao primeiro e mantém o mesmo ritmo. Nessa sequência, Michael luta contra a perseguição de outras famílias mafiosas e contra o governo federal, que tenta incriminá-lo a qualquer preço. Paralela a história de Michael, há flashbacks contando a juventude de Vito Corleone na Itália e após a imigração para os Estados Unidos, interpretado brilhantemente por Robert De Niro, mantendo as características criadas por Brando para o persnagem. O filme vai mais fundo na personalidade de Michael, com difíceis escolhas a serem tomadas, como a morte encomendada de seu irmão Fredo (John Cazale), após uma traição. O filme teve 11 indicações ao Oscar, vencendo nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor para Francis Ford Coppola, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante para Robert De Niro, Melhor Direção de Arte e Melhor Música. Também teve quatro indicações para as atuações masculinas: Al Pacino (indicado a Melhor Ator), Robert De Niro, Michael Gazzo e Lee Strasberg (indicados a Melhor Ator Coadjuvante).

"O Poderoso Chefão Parte III (1990)" mostra um Michael atormentado pelas atitudes do passado: divórcio, assassinato do irmão e o distanciamento dos filhos. Arrependido, Michael tenta legalizar os negócios da família com a ajuda da igreja e vê no sobrinho Vincent (Andy Garcia), filho de Sony, a chance de passar o bastão de "padrinho" e esperar por uma redenção. O filme não é tão bom quanto os dois primeiros, mas mantém o interesse do espectador ao longo das suas quase três horas de duração. A cena final da morte de Michael é belíssima, assim como a cena da morte de Vito Corleone na primeira fita. O único porém do filme é a atuação de Sofia Coppola como a filha Mary de Michael. É visível que ela está perdida em cena, mas não chega a danificar a obra com um todo. "O Poderoso Chefão Parte III" foi indicado a sete categorias no Oscar incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor para Coppola e Melhor Ator Coadjuvante para Andy Garcia.

Apesar de Coppola não considerar "O Poderoso Chefão" como uma trilogia (seriam dois filmes e um epílogo), o diretor fez a sua obra máxima e três obras clássicas e obrigatórias para se ver. "O Poderoso Chefão" conseguiu o que nenhum outro filme de Hollywood jamais conseguiu: ter duas partes das suas sequências premiadas com o Oscar de Melhor Filme. E não poderia ser diferente. Um verdadeiro clássico com personagens e cenas inesquecíveis. Definitivamente a melhor trilogia que eu já vi.

Bom, estas foram as minhas dicas. Escolha um final de semana e uma dessas cinco trilogias e boa sessão! Bons filmes!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Top 10: Melhores histórias de amor


Dias dos Namorados se aproximando, frio em boa parte do Brasil... Nada melhor para os enamorados de plantão do que
tomar um bom vinho e assistir um filme romântico no conforto do sofá ou da cama. Sendo assim, nada mais justo do que listar as dez melhores histórias de amor do cinema para se ver em boa companhia. Das histórias mais comuns às mais improváveis, sempre embaladas por uma canção ou uma frase que fica na cabeça por dias a fio... "E os indicados são":

10º Lugar: ... E o vento levou (Gone with the wind, 1939)


Se há um filme que define a palavra "clássico" no cinema, esse filme com certeza é ... E o vento levou.
Baseado na obra homônima de Margareth Mitchel, essa superprodução da MGM, filmado a cores numa época em que todos os filmes eram em preto e branco, apresenta imagens grandiosas, com figurinos e cenários exuberantes e personagens inesquecíveis. ... E o vento levou conta a história de Scarlett O'Hara (Vivien Leigh), a filha mimada de um colonizador irlandês que vive no sul dos Estados Unidos. Scarlett adora ter a atenção de todos os homens solteiros a sua volta, contudo nutre uma paixão pelo único homem que não lhe dá tanta atenção assim, Ashley Wilkes (Leslie Howard). No entanto, Ashley está comprometido com Melanie Hamilton (Olivia de Havilland). Após se declarar a Ashley e ser dispensada por ele, Scarlett aceita se casar com o irmão de Melanie. Paralelo a isso, os yankees do norte declaram guerra aos estados escravistas do sul. Tinha início a famosa Guerra de Secessão. Imediatamente Ashley e o marido de Scarlett se alistam ao exército. Scarlett fica viúva, seu marido morre antes mesmo de entrar em combate, e ela vai morar em Atlanta na casa de Melanie; a forma que ela encontrou de estar perto de Ashley. Em meio a tudo isso, Scarlett conhece Reth Butler (Clark Gable), um homem interessado mais em si próprio do que nos problemas políticos do país. O que se segue é a invasão de Atlanta pelos yankees e a completa destruição das cidades e fazendas do sul. Com o final da guerra e, numa tentativa de fugir ao ataque yankee, Scarlett pede ajuda a Reth para levá-la de volta a Tara, a fazenda de seu pai. Voltando para Tara, Scarlett encontra sua mãe morta, seu pai louco e a companhia na fome e da miséria. É inclusive nessa parte que ela, com um punhado de terra na mão, fala a famosa frase: "Nunca mais passarei fome em minha vida" (uma das várias cenas clássicas). Com esse pensamento, ela pede a Mammy (Hattie McDaniel) que faça um vestido de uma cortina e segue para Atlanta, onde pedirá ajuda a Reth. Ele a nega, e então Scarlett se casa com o homem que está comprometido com sua irmã, pois vê que seus negócios estão prosperando. Após um tempo, seu marido é assassinado e Reth, que já tinha interesse em Scarlett, a pede em casamento, já que ele diz que ambos são iguais em sua essência. No entanto, Reth sabe que Scarlett não esqueceu Ashley. Somente no final do filme, Scarlett percebe que realmente amava Reth, mas para ele seria tarde demais. O final fica em aberto, com Scarlett voltando a Tara e prometendo reconquistar Reth.

Há que se fazer justiça que o centro do filme não é o romance entre Scarlett e Reth, é sim, muito mais a história da própria Scarlett, que se vê obrigada a deixar o conforto e enfrentar todas as situações impostas por um guerra civil. Contudo, o relacionamento dos dois é impulsivo e cheio de altos e baixos. Vale destacar a postura de Reth, que nos momentos de fúria de Scarlett, só ele sabe como acalmá-la. Com quase quatro horas de duração, é difícil traçar uma sinopse curta dessa obra. ...E o vento levou recebeu treze indicações ao Oscar e levou oito: Melhor Filme, Melhor Diretor (Victor Fleming), Melhor Atriz (Vivien Leigh), Melhor Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniel, a primeira atriz negra a ser indicada e a ganhar um Oscar), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Montagem. Levou ainda dois Oscar honorários: pelo pioneirismo no uso de cores e pela inovação técnica. Naquela época, o cinema ainda não tinha presenciado cenas complexas como incêndios e cenas que exigiam um grande número de atores/figurantes. Duas curiosidades interessantes sobre o filme: (i) os prédios em chamas em Atlanta eram, na verdade, os cenários da versão original de King Kong (1933) e (ii) boa parte dos combatentes sulistas feridos que estavam deitados nas ruas de Atlanta enquanto Scarlett caminha entre eles eram bonecos de pano. As únicas falhas do filme são a longuíssima duração (uma tarefa árdua na correria dos dias de hoje) e a visão extremamente romanceada do escravismo sulista. Os negros são vistos como servos fiéis aos seus senhores, indo cavar trincheiras para os sulistas cantarolando e com um sorriso largo no rosto, além de alguns serem vistos como incompetentes, ou até mesmo, vagabundos. Poderia fazer uma postagem falando somente das histórias desse filme, mas o que fica mesmo é a imponência visual das cenas e seu inesquecível casal protagonista, Scarlett e Reth, numa das obras mais memoráveis da história do cinema.

9º Lugar: Um lugar chamado Nothing Hill (Nothing Hill, 1999)

O amor entre uma estrela de cinema e um sujeito normal, dono de uma pequena livraria. Essa é a história de amor entre Anna Scott (Julia Roberts) e Will (Hugh Grant). Anna conhece Will na sua pequena livraria enquanto divulga seu novo filme na Inglaterra. Ela compra uns exemplares e vai embora, e Will fica com aquele olhar de "nunca mais a verei". Entretanto, enquanto caminha na rua com seu capuccino, ele trompa em Anna deixando a sua roupa completamente manchada. Ela vai até a casa dele, onde pode vestir outra peça e, ela acaba se interessando por Will, um rapaz mais do que atrapalhado. O filme é cheio de idas e vindas entre os dois, mas um dos grandes destaques do filme são os amigos de Will, que apesar de serem "perdedores" sempre encontram motivos para rirem de si próprios. O filme é cheio de clichês, como por exemplo o namorado que surge do nada quando a relação parece estar indo no caminho certo e a corrida para alcançar Anna antes que ela embarque, até o final feliz. Um prato cheio para o deleite dos casais, sem comentar na belíssima canção interpretada por Elvis Costello, She, que encerra com chave de ouro o filme. Uma das melhores comédias românticas com Julia Roberts.

8º Lugar: Romeu + Julieta (Romeu + Julieta, 1996)

Claro que a história de amor mais famosa do mundo não poderia ficar de fora dessa lista. Esta adaptação da obra clássica de William Shakespeare, traz Romeu e Julieta dentro de um contexto urbano moderno e violento, onde as famílias Capuleto e Montecchio dominam boa parte da cidade. Esta, na minha opinião, é a melhor adaptação da obra de Shakespeare, tendo Leonardo DiCaprio no papel de Romeu e Claire Danes no papel de Julieta. O casal de jovens atores se saiu muito bem e convenceram nos papéis. Acho que não cabe aqui fazer uma sinopse da história de Romeu e Julieta, mas cabe indicar essa interessante adaptação que atraiu o público jovem para uma história secular.

7º Lugar: Uma linda mulher (Pretty Woman, 1990)

O sonho de toda mulher romântica, pode ser traduzido no filme que levou Julia Roberts ao estrelato e lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Uma linda mulher conta a história de uma prostituta, Vivian (Julia Roberts) que é contratada por Edward (Richard Gere) para ser sua acompanhante durante uma semana de negócios em Los Angeles. Edward dá acesso ilimitado ao seu cartão de crédito para que Vivian compre roupas mais adequadas nas botiques mais caras de Beverlly Hills, numa das sequências mais engraçadas do filme. Como era de se esperar, Vivian se apaixona por Edward. E, como toda comédia-romântica, o casal se separa em determinado momento e depois reata com declarações em públicos. Clichê? Sim, mas é o que todos esperam quando assistem a filmes desse gênero. Na verdade, Uma linda mulher impulsionou boa parte dos comédias românticas vistas nos últimos 20 anos e atraiu muitos telespectadores que apreciam esse gênero. Julia Roberts foi alçada a "queridinha da América", curiosamente, interpretando uma prostituta, fato que é facilmente ignorado pelo telespectador ao longo do filme pelo seu charme e carisma. Na verdade, Julia Roberts deve agradecer imensamente a Molly Ringwald, a queridinha de John Hughes durante os anos 80 que fez filmes como Gatinhas e Gatões e A garota de rosa-choque, que recusou o convite de Garry Marshall para viver o papel de Vivian. Sorte para Julia Roberts e azar para Molly, que dos anos 90 para cá fez somente participações em poucos filmes B. Vale destacar a trilha sonora de Uma linda mulher, principalmente a canção-tema do filme, Pretty Woman, interpretada por Roy Orbison. Uma história cativante e engraçada, que com certeza está na memória de muitas pessoas mundo a fora.

6º Lugar: Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)

Eleito por mim como um dos dez melhores filmes da década (2000-2009), Brilho eterno não poderia ficar de fora dessa lista. Clementine (Kate Winslet) decide apagar da memória todas as lembranças que tem de seu namorado Joel (Jim Carrey) porque acredita que sua relação com ele está fadada ao fracasso. Ao saber disso, Joel também resolve se submeter a esse processo de limpeza de memória, mas durante tal processo ele luta dentro de suas memórias para guardar alguma lembrança de Clementine. Como já falei aqui, o roteiro é originalíssimo e vale muito a pena conferir.

5º Lugar: Casablanca (Casablanca, 1942)

Outro filme que leva o título de "clássico". Casablanca é nome de uma cidade marroquina sob domínio da França, tida como o penúltimo ponto de partida para a América, durante a Segunda Guerra Mundial. A história é sobre Rick (Humprey Bogart), o dono de um bar-cassino, cujo local abriga todo tipo de facção política, desde americanos tentando voltar para casa, nazistas, franceses... Rick não é do tipo que tem muito amigos, justamente por isso Ugarte (Peter Lorre), um vigarista que consegue passagens para quem quiser voltar para a América, entrega para Rick duas passagens. Em seguida, Ugarte é preso e assassinado. A polícia tenta localizar as passagens, mas Rick se faz de desentendido, mantendo-as consigo. Contudo, Rick não sabia que as passagens eram para Victor Lazlo (Paul Henreid) e sua grande paixão do passado, Ilsa (Ingrid Bergman). A história de amor vivida por Rick e Ilsa é contada na forma de flashback, durante a época em que eles viviam na França ainda não ocupada pelos nazistas. Um amor intenso, repleto de juras e planos para o futuro. Um pouco antes da invasão alemã, Rick planeja fugir com Ilsa, e combinam de se encontrar na estação de trem. Para a desilução de Rick, Ilsa não aparece. Após o reencontro em Casablanca, ambos sentem saudades do amor vivido na França ("Nós sempre teremos Paris", em umas das frases clássicas), Rick então descobre o motivo de Ilsa tê-lo abandonado, e mais uma vez planejam fugir, dessa vez com Ilsa abandonando Victor. Se a fuga sairá como planejada, fica para quem ver ou para quem já viu o filme. Com um roteiro inteligente, Casablanca cativa o telespectador com a história de Richard e Ilsa, ainda mais embalada com a inesquecível canção "As time goes by", que quase transporta o telespectador para dentro do filme, além de frases clássicas como "Esse é o início de uma bela amizade" e "Eu sei que jamais terei forças para deixá-lo novamente". Uma excelente história que vale a pena ser vista. Casablanca é tido como um dos melhores filmes de todos os tempos pela crítica especializada, sendo premiado com o Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção (Michael Curtiz) e Melhor Roteiro. Realmente vale a pena conferir.

4º Lugar: Cidade dos Anjos (City of Angels, 1998)

O amor na sua forma mais improvável acontece em Cidade dos Anjos. Seth (Nicolas Cage) é um anjo que consola aqueles que estão a beira da morte. Maggie (Meg Ryan) é uma médica que não acredita em fenômenos sobrenaturais, mas após perder um paciente fica muito abalada e começa a perceber a presença de algo que não consegue explicar. Seth vai se aproximando cada vez mais de Maggie, mas como é um anjo ele não sente o toque, calor, frio, vento... Decidido a viver esse amor, ele abre mão da sua condição e se torna mortal. Cidade dos Anjos é um belíssimo filme, que foge do clichê final e mistura romantismo com espiritualidade muito bem. Destaque para a música-tema do filme, Iris, interpretada pelo Go Go Dolls.

3º Lugar: Diário de uma paixão (The notebook, 2004)

O amor de uma vida inteira. Assim pode ser definido a história vivida por Allie (Rachel McAdams) e Noah (Ryan Gosling). O filme começa em uma clínica geriátrica, onde uma idosa está internada por sofrer do mal de Alzheimer. Duke, um amigo dessa idosa que também está internado, conta a história de amor vivida pelos jovens Allie e Noah. O jovem casal de apaixonou em 1940, mas a relação não era bem vista pela mãe de Allie, já que Noah era um rapaz de classe inferior. Como forma de evitar o relacionamento da filha com Noah, a família de Allie se muda para longe. Contudo, a mudança não apaga o amor de Noah, que escreve para Allie diariamente. Infelizmente, as cartas nunca chegaram nas mãos de Allie, pois sua mãe as escondia. Passado um tempo, e como nunca mais tivera notícias de Noah, Allie aceita o pedido de casamento de Lon Hammond Jr. (James Marsden, o Ciclope de X-Men). No entanto, ela reencontraria Noah no futuro, e todo o sentimento que ela julgava ter acabado ressurge. A história não é tão original, mas o grande valor do filme está no final, que apesar de ser previsível, emociona. O elenco, apesar de jovem, se sai muito bem. No quesito romance, não há como não indicar esse filme. Vale a pena conferir.


2º Lugar: Titanic (Titanic, 1997)

Uma história de amor a bordo do maior navio até então já construído. Titanic, como o mundo inteiro sabe, conta a história de Jack (Leonardo DiCaprio), um jovem pintor sem paradeiro certo, e Rose (Kate Winslet), uma jovem de família nobre. Jack conhece Rose quando esta tenta saltar do navio, cansada da sua vida de aparências na alta sociedade. Como forma de retribuição por ter salvado a vida de Rose, Cal (Billy Zane), noivo de Rose, convida Jack para um jantar. A partir disso, o interesse de Jack por Rose só aumenta, e culmina por fim na clássica cena em que ambos estão na proa do navio, e ela com os braços abertos diz: "Estou voando, Jack". Após a frase, Jack canta uma música ao pé do ouvido de Rose, há o toque delicado das mãos, o abraço e por fim, o primeiro beijo do casal, na cena mais romântica do filme.

Os adoradores de Avatar que me desculpem, mas essa com certeza é a cena mais clássica produzida por James Cameron. Entretanto, como na maioria das histórias de amor no cinema, nem todos os finais são felizes. Após colidir com um iceberg, o Titanic encontra seu final, antes mesmo de chegar ao seu destino. Inicia-se uma violenta luta pela sobrevivência, já que não há botes salva-vidas para todos. O "insubmergível" navio titânico, finalmente afunda, numa das sequências mais espetaculares e reais do cinema moderno. Jack e Rose conseguem escapar do naufrágio com vida, mas como o resgate dos botes demora a chegar, Jack acaba morrendo e somente Rose é resgatada. James Cameron acertou o tom em todos os focos que o filme deu, no romance entre Jack e Rose e no trágico final, com cenas grandiosas e complexas. A cena que o Titanic se parte ao meio é uma cena que eu não me canso de rever, dado o imenso realismo e perfeição com que foi feita. Aliás a perfeição é a obsessão de James Cameron. Ele exigiu cópias fiéis de tudo que havia no navio, desde a prataria até os cômodos, incluindo uma réplica de 230m do transatlântico, o que tornou Titanic um dos filmes mais caros já produzidos. Isso não foi problema, porque ele faturou a maior bilheteria do mundo, sendo superado somente por Avatar, também de Cameron. Alías, enquanto a febre 3-D não termina, Cameron está convertendo a sua versão original de Titanic para uma versão 3-D. Sinceramente, não sei para quê. Pior ainda é a pseudo-sequência que está para ser lançada, Titanic 2 (sim, é verdade, mas isso é assunto para a próxima postagem). Por fim, falem o que quiserem, mas Titanic é sim um clássico e merece o seu lugar ao sol, ao lado de obras como ...E o vento levou (1939) e Casablanca (1942).


1º Lugar: Ghost, do outro lado da vida (Ghost, 1990)

Um clássico! Uma história de amor além da vida. Sam (Patrick Swayze) e Molly (Demi Moore) fazem um bonito e promissor casal, até que, numa noite Sam é assassinado. No entanto, sua alma fica para proteger Molly das más intenções de seu ambicioso colega de trabalho Carl (Tony Goldwin). Como não consegue se comunicar com Molly, Sam pede ajuda a Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma falsa médium que acaba descobrindo que realmente possui o dom. A partir de então, Oda Mae tenta de todas as formas convencer Molly de que Sam ainda está com ela. O filme é muito bem feito, com doses de drama, romance e humor na medida certa. Aliás, o humor é devido à participação de Whoopi Goldberg, numa interpretação hilária, que a rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Levou ainda o Oscar de Melhor Roteiro Original, e foi indicado a Melhor Filme, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora, com a inesquecível a canção Unchained Melody, interpretada por Righteous Brothers. O casal formado por Patrick Swayze e Demi Moore é um dos mais cativos de toda a história do cinema e um dos que mais emocionaram. Boa parte do público feminino, e porque não dizer de alguns machões também, derramaram algumas lágrimas na despedida de Sam e Molly. Um amor tão forte, que nem a morte foi capaz de separar só pode render a melhor história de amor do cinema.


É difícil falar desses filmes sem soar piegas, mas tentei mostrar o lado romântico de cada um e as várias formas de amor que o cinema já representou. Afinal, o amor é e ainda será tema de muitos filmes que estão por vir. Então, escolha um da lista, chame a sua (seu) namorada (o) e aproveitem. Bom filme e até a próxima!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A inocência durante a Segunda Guerra Mundial


Volta e meia o cinema nos presenteia com ótimas adaptações de obras literárias que possuem a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo da história. São exemplos clássicos: “A escolha de Sofia” (1982), “A lista de Schindler” (1993) e o recente “O leitor” (2008). A adaptação do livro de John Boyne, “O menino do pijama listrado” (2008) conta a história de Bruno (Asa Butterfiled), um menino de oito anos filho de um militar alemão, cuja família se muda da cidade de Berlim para o interior. O pai de Bruno (David Thewlis) foi recém-promovido a chefe de um campo de concentração judeu localizado próximo a sua casa. Bruno, entediado com o lugar e na falta de crianças para brincar, começa a explorar as imediações da casa. Logo ele descobre uma estranha “fazenda”, onde todos os “fazendeiros” usam a mesma roupa: pijamas listrados. Contrariando a orientação de sua mãe (Vera Farmiga), Bruno resolve ir até a “fazenda” e para a sua surpresa encontra o menino Schmuel (Jack Scanlon). Bruno fica instigado com o fato de todos na “fazenda” usarem a mesma roupa e de cada um possuir um número diferente, o que para ele seria apenas parte de um jogo. Como Schmuel é a única criança por perto, Bruno o visita frequentemente e logo nasce uma amizade entre eles.
Com um final comovente e emocionante, “O menino do pijama listrado” mostra toda a inocência de uma criança que não consegue compreender completamente as ações adultas que o cercam. Os horrores da Segunda Guerra não são explícitos como em “O pianista” (2002) e “A lista de Schindler”, eles são apenas sugeridos, e é exatamente isso que torna o filme tão forte e difícil de esquecer.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ele não está tão a fim de você



"Ele não está tão a fim de você" (He's just not that into you, 2009) conta a história de Gigi (Ginnifer Goodwin), uma eterna romântica que acredita que Conor (Kevin Conolly) é o amor de sua vida. Após um único encontro com Conor, ela decide ir atrás dele, já que Conor nunca mais a procurou. Nessa busca, Gigi conhece Alex (Justin Long), um amigo de Conor. Alex convence Gigi de que Conor nunca mais a procurará, porque é isso que os homens fazem quando não estão interessados. Após isso, Alex se torna uma espécie de conselheiro sentimental para Gigi, indicando todos os sinais masculinos de quando ele não está a fim de você ou só quer se divertir. Paralela a esta história de busca pela paixão, existem dois casais: Neil (Ben Affleck) e Beth (Jennifer Aniston), e Janine (Jennifer Connelly) e Ben (Bradley Cooper). Neil e Beth moram juntos há sete anos. Ela sonha em casar e ele não acredita no matrimônio. Já Janine e Ben são recém-casados e estão construindo a sua casa. Contudo, Ben se sente atraído por Anna, interpretada pela estonteante Scarlett Johansson, uma professora de ioga que sonha em ser cantora, e que tem um affair com Conor. Para interligar ainda mais a história, o encontro inicial entre Gigi e Conor foi arranjado por Janine, colega de trabalho de Gigi e de Beth.
Como toda comédia romantica, há separações e reconciliações e o final é extremamente previsível. No entanto, "Ele não está tão a fim de você" difere da maioria das comédias românticas por não focar exclusivamente em um único casal, mas em vários personagens com histórias que se interligam, embora algumas personagens não interajam diretamente. As cenas cômicas ficam por conta de Gigi e sua busca incansável por um cara que ligue no dia seguinte e dos depoimentos de terceiros sobre os relacionamentos que tiveram. Destaque para a personagem Mary (Drew Barrymore) que utiliza todos os tipos de tecnologias existentes para marcar um encontro ao vivo.
Com um elenco estelar jovem e uma história leve e divertida, "Ele não está tão a fim de você" é uma boa pedida para quem quer descontrair e relaxar. Bom filme!!





quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Os dez melhores filmes da década (2000-2009)


A década de 2000-2009 foi repleta de filmes de grandes bilheterias. Fazendo uma retrospectiva rápida e superficial pode-se dizer que o cinema girou basicamente em adaptações, tanto de quadrinhos como de livros. Nesta década tivemos quatro filmes sobre os X-Men e três sobre o Homem-Aranha. E ainda as adaptações literárias de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, e mais recentemente a febre adolescente Crepúsculo (onde o segundo filme da série, Lua Nova, bateu o recorde de bilheteria no primeiro dia de exibição). Além das adaptações, tivemos o fenômeno dos filmes-catástrofes, onde os que mais se destacaram foram Guerra dos Mundos, O Dia Depois de Amanhã e o recente 2012. Deixando as grandes bilheterias de lado, pode-se dizer que o cinema mudou o seu enfoque. As nações estão mais interligadas. Hoje é mais fácil acessar qualquer filme de qualquer país. Mesmo Hollywood se entregou a influência estrangeira. Prova disso é o fato de que Quem Quer Ser um Milionário, produzido totalmente na Índia, levou o Oscar de Melhor Filme esse ano (o prêmio máximo da Academia).


Os filmes estão dando prioridade para situações mais reais, discutindo temas importantes como o preconceito (O Segredo de Brokeback Mountain e Distrito 9, são alguns exemplos), o tráfico de drogas e armas (Traffic, O Senhor das Armas) e questões políticas (Syriana, V de Vingança). Os romances ficaram em segundo plano, e as histórias que tratam dos relacionamentos amorosos de forma mais real ganharam destaque. Às vezes, órgãos públicos ou pessoas que deveriam defender o cidadão têm as suas fraquezas expostas e o tema é debatido entre a população (ver Tropa de Elite e O Jardineiro Fiel, por exemplo). Dessa forma, a reflexão (umas das funções do cinema)tem se tornado o elemento central para a atratividade do filme.


As relações humanas têm se tornado o grande foco do cinema atual (assista Pequena Miss Sunsinhe, Ensaio Sobre a Cegueira e Adeus Lênin!). O cinema nacional teve uma retomada excelente, produzindo desde comédias (Se Eu Fosse Você) até filmes de temática social (Carandiru) e excelentes dramas, como Lavoura Arcaica e Abril Despedaçado, ambos com uma direção de arte primorosa.
Diante da imensa quantidade e variedade de temas abordados nos filmes dessa década, foi muito difícil escolher os dez melhores. E ainda mais ranqueá-los.
Mas afinal, o que torna um filme bom? A história? O elenco? O diretor? Os efeitos especiais? O número de estatuetas? A forma de contar a história? O final? São muitas as variáveis, e poucos filmes conseguem englobar mais de dois ou três desses quesitos.

Segue abaixo a lista com os dez melhores filmes da década 2000-2009. Não foi uma seleção fácil, e provavelmente estarei sendo injusto com alguns filmes excelentes, mas busquei tornar a lista a mais representativa possível da produção cinematográfica da década e fugir ao máximo dos filmes premiados com o Oscar. Aí vai a lista:

10º Lugar: Closer - Perto Demais (Closer, 2004)


Com um excelente elenco e ótimas atuações, Closer mostra ao telespectador as idas e vindas de um quadrado amoroso. O filme começa quando Alice (Natalie Portman) conhece Daniel (Jude Law). Ele escreve obituários e é aspirante a escritor de livros e ela uma stripper recém-chegada dos Estados Unidos à Inglaterra. Após a apresentação formal dos dois, o filme dá um salto no tempo e Daniel, agora já com seu livro escrito sobre a vida de Alice, surge sendo fotografado por Ana (Julia Roberts). Dan se interessa por Ana, mas esta ao saber que ele já tem "dona", acaba se afastando. Após, como uma brincadeira, Dan entra em uma sala de bate-papo se passando por Ana e acaba marcando um encontro com Larry (Clive Owen). O que Dan não previra é que de fato Ana estaria no lugar marcado com Larry. Consequência: Larry e Ana iniciam um relacionamento. Durante a exposição fotográfica de Ana (com trilha sonora brasileira), os dois casais se encontram e Larry fica encantado com a beleza de Alice. O filme é contado em passagens rápidas de tempo, e nessas passagens as relações entre os dois casais se alternam. Destaque para os diálogos extremamente intensos, onde o principal é quando Larry descobre estar sendo traído por Ana. "Ele é melhor do que eu?", "Onde vocês fizeram?" são algumas das perguntas feitas por Larry à Ana. A realidade dos diálogos e das situações vividas pelos personagens, além das ótimas atuações (com destaque para Natalie Portman e Clive Owen, ambos indicados ao Oscar) é o que torna este um dos dez melhores filmes da década. Destaque também para a música tema do filme, Blower's Daughter de Damien Rice, que inicia e encerra o filme. Realmente um novo clássico. Vale a pena conferir.







9º Lugar: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)


Com um roteiro excelente e originalíssimo, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças juntamente com Pequena Miss Sunshine foram umas das poucas gratas surpresas do cinema nesse período (interessante notar que ambos possuem o termo "sunshine" no título). A história do filme é sobre o casal Joel Barish (Jim Carrey) e Clementine Kruczynski (Kate Winslet). Após um tempo de relacionamento, Clementine não acredita que a relação com Joel durará por muito tempo, já que ambos possuem personalidades muito diferentes. Ele completamente introspectivo e ela absolutamente intensiva. Diante disso, Clementine resolve apagar de sua memória todas as lembranças de Joel, através de um tratamento experimental realizado pelo Dr. Howard (Tom Wilkinson). Quando descobre que Clementine se submeteu a tal tratamento, e inconformado com o fato de seu grande amor querer esquecê-lo, Joel também decide se submeter ao tratamento. À medida que suas lembranças de Clementine vão sendo apagadas, ele desiste do procedimento. E aí está a grande sacada do filme. Seu corpo está adormecido devido aos procedimentos médicos e a grande batalha para não esquecer Clementine é travada dentro de suas lembranças. Ele tenta a todo custo levá-la para lembranças onde ela não exista, para que dessa forma não se esqueça completamente dela. As suas memórias são alternadas, dentro da mesma cena, com diálogos passados e com diálogos presentes, onde ele discute com Clementine o que farão para um não esquecer o outro.
Realmente algo não visto com muita frequencia no cinema. O filme não segue uma ordem cronológica, e à primeira vista pode parecer confuso, mas na verdade é o que torna o filme ainda mais atraente. Brilho Eterno ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original e Kate Winslet teve a sua quarta indicação ao Oscar, mas perdeu para Hilary Swank por Menina de Ouro. Um belo filme contado de uma forma não muito convencial para o grande público. Com um roteiro brilhante, esse filme não poderia ficar de fora dos dez melhores da década. Vale a pena conferir.


8º Lugar: O Curioso Caso de Benjamim Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2009)

Muita gente já se perguntou como seria se a história da nossa vida fosse ao contrário: nascermos velhos e morrermos jovens. Pois foi justamente essa a idéia do romance de F. Scott Fitzgerald adaptado para o cinema por David Fincher. O filme fala sobre o nascimento de uma criança. No entanto, essa criança não é como as outras recém-nascidas. Benjamin Button (Brad Pitt) nasce com o aspecto de um senhor de 80 anos. Com a morte da mãe após o parto e com tal fisionomia, Benjamin é rejeitado pelo pai que o abandona a frente de um asilo. Num corpo de criança, mas com todos os problemas de saúde típicos de pessoas com mais idade, Benjamin cresce em meio aos idosos do asilo e aprende a andar com dificuldade após muito tempo. Apesar do aspecto envelhecido, ele é uma criança, e como tal apronta algumas peripécias. Conforme cresce, seus problemas de saúde vão desaparecendo e ele vai se tornando mais novo. Um certo dia, quando deveria ter mais ou menos 15 anos, uma menina vem visitar a sua avó. Daisy (Cate Blanchet) se encanta com o menino com feições semelhantes a de sua avó. Os dois se tornam muito amigos, até o dia em que Benjamin resolve sair de casa e conhecer o mundo. Aparentando um vovô, ele consegue um emprego num barco, conhece a vida boêmia e as mulheres. Contudo, ele ainda possui a ingenuidade típica dos jovens. O tempo passa e ele fica cada vez mais jovem. Vinte anos mais tarde ele reencontra Daisy, agora uma famosa bailarina. Daisy se interessa por Benjamin, por quem sempre nutriu um grande afeto, mas ele vacila. Anos mais tarde, ele procura novamente Daisy, mas parece não gostar do estilo de vida dela. O tempo passa e Daisy sofre um acidente que a impede de dançar novamente, e a partir disso, a relação entre os dois tem início. Um aparente felizes para sempre! Entretanto, conforme o tempo passa, Benjamin se rejuvenesce e Daisy envelhece...
Com status de filme grandioso, tanto pelas cenas como pelo elenco, O Curioso Caso de Benjamin Button pode ser visto pelos mais influenciáveis pelo Oscar como aquele que era para ter sido e não foi. Indicado a 13 Oscars, levou somente três, apenas em categorias técnicas: Melhores Efeitos Especiais, Melhor Direção de Arte e Melhor Maquiagem. Foi indicado também a Melhor Filme e Melhor Ator para Brad Pitt. Aliás, Pitt demonstra ser capaz de interpretar papéis mais densos, mas os grandes destaques ficam mesmo para Cate Blanchet e Taraji Henson, a mãe adotiva de Benjamin. Com uma direção de arte e fotografia excelentes, o filme é exato ao retratar o convívio constante de Benjamin com a morte. A maioria das pessoas que ele conheceu quando jovem eram idosas, e naturalmente morreram antes dele. Uma bela reflexão sobre a vida e a morte, e como agimos durante a nossa vida. Como bem disse Benjamin: "As nossas vidas são definidas pelas oportunidades, mesmo aquelas que perdemos".





7º Lugar: Crash - No Limite (Crash, 2004)

Tentei fugir ao máximo dos ganhadores do Oscar de Melhor Filme, mas nesse caso não foi possível. Ambientado em Los Angeles, Crash trata das relações humanas entre pessoas de diferentes classes sociais, raças e etnias. O filme começa com o roubo do carro do casal Jean (Sandra Bullock) e Rick (Brendan Fraser) por uma dupla de negros. A partir disso, várias situações e pessoas se interligam, e tais fatos influenciam no cotidiano de outras pessoas. O filme aborda de forma contundente e extremamente real o preconceito, em suas mais variadas formas. Uma dessas situações é quando Cameron (Terrence Howard) e sua esposa Christine (Thandie Newton), ambos negros, são flagrados pelo oficial Ryan (Matt Dillon) em sua intimidade enquanto Cameron dirige. O oficial, aproveitando-se de sua condição de autoridade ao revistá-los, passa a mão pelo corpo de Christine na frente de Cameron, que por medo de ter sua vida íntima exposta, acaba por não proteger a sua esposa. Mais tarde, em outra cena, Christine sofre um acidente de carro e por coincidência quem vem resgatá-la é Ryan. Ela entra em desespero, já que a última pessoa que ela gostaria de ver naquele momento seria o policial que a molestou. Ryan se sente mal diante do trauma que causou àquela mulher e por fim consegue resgatá-la. Outro fato extremamente marcante é quando Daniel (Michael Pena) vai consertar a porta do estabelecimento de um comerciante árabe, cujo domicílio foi assaltado. Daniel sugere que a porta precisa ser trocada, mas o dono do estabelecimento desconfia e acha que Daniel está querendo lucrar com ele. A porta não é trocada, e o estabelecimento sofre um novo assalto. Convencido de que foi Daniel que tramou o assalto, o dono da loja árabe vai até a casa de Daniel com um revólver. Ambos chegam juntos, e nesse momento a filha de Daniel vai recepcioná-lo e se joga em seus braços, no exato momento em o árabe dispara o tiro. Uma das cenas mais emociantes do filme. E assim ele segue, explorando todo o tipo de preconceito: brancos com negros, negros com negros, latinos com estadunidenses, árabes com latinos...
Crash teve seis indicações ao Oscar e levou três: Melhor Filme (desbancou o favorito da época, O Segredo de Brokeback Mountain), Melhor Roteiro Original e Melhor Edição. Destaque para a atuação de Matt Dillon e para a canção tema do filme In the Deep, de Bird York. Dirigido por Paul Haggis (o mesmo produtor de Menina de Ouro), esse filme é passagem obrigatória para quem gosta de boas histórias. Haggis comprova que mesmo pessoas que se julgam livre de preconceitos, em alguma situação, ela terá uma atitude preconceituosa. O filme não pretende ser moralista, e está bem longe disso. O que faz, e muito bem, é despertar a reflexão sobre o nosso comportamente perante as diferentes culturas, credos e raças. Com essa temática, não podia deixar Crash de fora dessa lista.





6º Lugar: Shrek 2 (Shrek 2, 2004)

Sim, em sexto lugar está ele: Shrek, o ogro mais simpático da história do cinema. Em Shrek 2, Shrek (Mike Myers) vai conhecer os pais de Fiona (Cameron Diaz) no reino de Tão Tão Distante (Far Far Away). Contudo, Shrek não era exatamente o marido que Harold (John Cleese), o pai de Fiona, sonhara para a sua filha. Não bastasse isso, Harold ainda mantinha um trato com a Fada Madrinha (Jennifer Saunders), de que seu filho, o Príncipe Encantado (Rupert Everett), se casaria com Fiona. Disposto a se livrar de Shrek, Harold contrata o Gato de Botas (Antonio Banderas) para tal serviço. Mas nem tudo sai como planejado e o Gato de Botas se torna amigo de Shrek e de seu fiel companheiro, o Burro (Eddie Murphy). A Fada Madrinha faz com que Harold dê a Fiona uma poção mágica que a transformará em princesa novamente, e a convence que Shrek passará pela mesma transformação. No entanto, quem se apresenta como Shrek é o Príncipe Encantado. Muita confusão acontece até Shrek mostrar para Fiona que Encantado não é ele.
O filme é genial ao abordar as histórias de conto-de-fadas de forma completamente inversa ao que é de praxe nas histórias infantis. Todos os elementos do imaginário infantil estão lá: castelos, príncipes, reis, rainhas, princesas, ogros, dragões, torres isoladas, fadas madrinhas... A grande sacada do filme está justamente no caráter dos seus personagens. Historicamente, personagens feios como os ogros são criaturas abomináveis que peturbam a paz dos belos príncipes e assombram princesas indefesas. Em Shrek 2, os vilões da história são justamente a Fada Madrinha e o Príncipe Encantado, os quais não vão medir esforços para separar Shrek e Fiona.
Um filme repleto de referências cinematográficas, como Alien e Homem-Aranha, com uma excelente trilha sonora e que trabalha de forma extremamente lúdica e criativa as história infantis, tornando esse filme atraente não só para as crianças, mas para os adultos também. O final não poderia ser diferente: Shrek e Fiona estão fisicamente transformados em aquilo que o povo espera de um príncipe e de uma princesa, ambos esteticamente bonitos, mas optam por continuar com a forma de ogro. Uma prova de que aparência não é tudo. Embora a mídia atual faça de tudo para nos convencer do contrário. Shrek é realmente um marco, não só para os filmes de animação, mas para o cinema como um todo.





5º Lugar: Bastardos Inglórios (Inglorious Bastards, 2009)

Em quinto lugar está a mais nova obra-prima de Quentin Tarantino. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, Bastardos Inglórios tem seu começo nos campos da França, onde Hanz Landa (Christoph Waltz), conhecido como "o caçador de judeus" mata a família de Shosana Dreyfus (Mélanie Laurent) que estava escondida no porão de um camponês. Shosana consegue fugir, e em Paris sob nova identidade, abre um cinema. Paralela a esta história, em outro lugar da Europa, Aldo Rayne (Brad Pitt) monta seu exército de judeus que busca caçar nazistas. Conhecidos como "os bastardos", o grupo de Aldo escalpela nazistas ou quebra as suas cabeças com bastões de baseball. O objetivo principal de Rayne é acabar com os líderes do Terceiro Reich. Para alcançar tal objetivo, seu grupo se junta à atriz alemã e espiã Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger). De volta a história de Shosana, esta é constantemente galanteada pelo soldado alemão Fredrick Zoller (Daniel Bruhl), que devido às inúmeras mortes durante a guerra foi premiado com um filme sobre o seu desempenho nos campos de batalha. Para ficar mais próximo de Shosana ele pede ao seu superior que a estréia de seu filme seja no cinema de Shosana. Como todo o alto escalão do Terceiro Reich estará na estréia, incluindo Adolf Hitler (Martin Wuttke), Shosana planeja a sua vingança contra aqueles que assassinaram a sua família. O que ela não sabia, porém, é que o grupo de Rayne também viria infiltrado para a estréia a fim de explodir o cinema e todos os seus líderes nazistas.


Bastardos Inglórios
não é a representação de fatos reais, apesar de ter existido um grupo que tinha por objetivo matar nazistas. O que Tarantino faz é se valer de acontecimentos reais para criar uma história, que como nos seus outros filmes, é uma historia só dele. O filme apresenta todos os elementos típicos das suas obras: violência, humor, tiros...e uma trilha sonora ótima como sempre. Tal como em Kill Bill, o filme está dividido em capítulos, e tem alguns flashbacks para o telespectador compreender melhor a história. A mistura de idiomas é sensacional, com diálogos em inglês, francês, alemão e italiano. Brad Pitt está muito bem no papel de Aldo Rayne, mas o destaque maior fica para Christoph Waltz e seu caçador de judeus. Ele desperta uma mistura de emoções, em cenas que vão da raiva à comicidade. Se o grupo de Rayne e Shosana conseguem ou não atingir seus objetivos, fica para quem assistir o filme. De qualquer forma, a década não poderia fechar sem um filme de Tarantino em uma de suas melhores versões. Vale a pena conferir!




4º Lugar: Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008)

Foi Apenas um Sonho conta a história de um jovem casal apaixonado: Richard (Leonardo Dicaprio) e April (Kate Winslet). Eles se conhecem e se casam com a certeza de que seriam felizes para sempre e que teriam uma vida de sucesso. No entanto, April, que almejava ser atriz, acaba se tornando uma mera dona-de-casa após o fracasso de sua peça no teatro. Já Richard é infeliz no seu trabalho e acredita ter potencial muito maior do que o cargo que desempenha. O diálogo entre o casal após a apresentação da peça de April, ainda no início, dá o tom de como será o restante o filme. Uma sequencia de críticas ao modelo "American way" de ser. O casal reside na rua Revolutionary Road e é tido entre os vizinhos como um exemplo: ela uma dona-de-casa dedicada e ele um pai trabalhador, em especial para a corretora de imóveis Helen (Kathy Bates). Buscando fugir do marasmo que as suas vidas se tornaram, April e Richard planejam se mudar para Paris. "Um lugar onde as pessoas estão vivas", segundo Richard. O plano perfeito para reacender a chama da paixão entre eles. Tudo vai muito bem entre o casal até que Richard recebe a proposta de subir de cargo na empresa e April engravida. A partir disso, a relação entre os dois fica bastante conturbada, já que a almejada mudança de ares fica cada vez mais distante.

Dirigido por Sam Mendes (o mesmo diretor de Beleza Americana), o filme apresenta diálogos intensos e verdadeiros, o que nem sempre agradam aos ouvidos de quem ouve. O diálogo clímax é quando Helen, seu marido e seu filho John (Michael Shannon) vão almoçar na casa do jovem casal. Percebendo que algo estava errado entre April e Richard, John despeja toda a verdade sobre o que anda acontecendo com o relacionamento do casal. Frases perturbadores para os ouvidos de Richard, mas completamente verdadeiras e recheadas de crítica social. O filme juntou novamente a trinca de atores de Titanic: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio e Kathy Bates. Diferente do romance vivido no transatlântico entre Rose e jack, o amor e o relacionamento entre April e Richard é mostrado apenas como uma bonita fachada para quem o vê de fora. Impossível não falar das atuações de Dicaprio e de Kate Winslet. Ele demonstra ser muito mais do que um rosto bonito na tela e está excelente no papel. Inclusive já recebeu três indicações ao Oscar. Kate se consagra como uma das melhores atrizes da nova geração, com uma atuação espetacular. Interessante notar que esse filme é contemporâneo de O Leitor (The Reader, 2008), filme pelo qual Kate Winslet levou, finalmente, o Oscar de Melhor Atriz. No entanto, a atuação dela em Foi Apenas um Sonho é muito superior à de O Leitor. Parece que a Academia gosta mesmo de personagens que mudam a fisionomia das atrizes [é só lembrar de Nicole Kidman (em As Horas, 2001) e Charlize Theron (em Moster - Desejo Assassino, 2002), ambas também levaram a estatueta de Melhor Atriz e mudaram suas aparências]. Com excelentes interpretações, uma ótima história recheada de crítica social, fotogafia e direção de arte sutis e impecáveis, Foi Apenas um Sonho é um filme intenso e reflexivo, e passagem obrigatória para quem gosta de bons filmes. Vale a pena conferir!





3º Lugar: Amores Brutos (Amores Perros, 2000)

O que um jovem suburbano, uma modelo e um mendigo possuem em comum? Com estilos de vida completamente diferentes, a história desses três personagens se cruza e vai modificar para sempre as suas vidas. Esse é o enredo central de Amores Brutos. O filme é contado em três partes, todas envolvendo cães e seus donos (daí o nome do filme, perro significa cachorro em espanhol) e um acidente de carro, que ocorre logo no início da história. A primeira parte retrata o cotidiano do jovem Octavio (Gael García Bernal) e de seu cachorro Cofi. Octavio é apaixonado pela sua cunhada Susana (Vanessa Bauche), a qual é maltratada pelo marido. Buscando viver esse amor com Susana, Octavio leva Cofi para apostadores de rinhas entre cães, a fim de consseguir dinheiro o suficiente para fugir com Susana. No entanto, a invencibilidade de Cofi, desperta a ira de Luis (Jorge Salinas), que sempre possuíra os melhores cães até então. Durante uma perseguição de carro entre Octavio e o grupo de Luis, acontece o acidente. Esse acidente é o acontecimento que "une" Octavio, a modelo Valeria (Goya Toledo) e o mendigo Chivo (Emilio Echevarría). Valeria, uma famosa modelo latino-americana engata um romance com Daniel (Alvaro Guerrero). Ela se fere gravemente durante o acidente e passa boa parte do tempo em uma cadeira de rodas sob a companhia de seu cão Richie e de Daniel. No apartamento novo comprado por Daniel para ela há um buraco no chão e Richie por acidente acaba entrando nesse buraco, para desespero de sua dona. A partir disso, a relação entre Valeria e Daniel fica bastante conturbada, já que seria muito difícil ela trabalhar como modelo novamente devido as cicatrizes do acidente. Durante o acidente, ainda, estava de passagem na rua o mendigo Chivo, um ex-guerrilheiro que agora trabalha como assassino de aluguel. Vendo que um cão, Cofi, estava envolvido no acidente ele o leva para casa e o cura. Mas Chivo não é um mendigo qualquer. No passado ele foi professor universitário, casado e teve uma filha. Contudo, no passado, acreditando em seus ideais políticos, deixou a família para se tornar guerrilheiro. Trabalhando como assassino de aluguel, ele busca uma forma de redenção com a sua filha, dando-lhe todo o dinheiro que juntou durante a vida.


Contundente e reflexiva história do diretor Alejandro González-Iñárritu, Amores Brutos foi o primeiro filme a abordar histórias aparentemente independentes, mas que estão intinamente relacionadas. São do mesmo diretor e utilizam esta mesma abordagem os excelentes 21 Gramas e Babel, ambos gravados nos Estados Unidos, após a ótima recepção de Amores Brutos no Festival de Cannes em 2000. 21 Gramas se assemelha muito ao primeiro filme da "trilogia", mas com um elenco mais hollywoodiano (Sean Penn e Naomi Watts estão no elenco). Já Babel segue a linha, dessa vez estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchet. No entanto, as histórias de Babel não se conectam localmente como nos dois primeiros filmes, mas sim mundialmente, onde um acontecimento no Marrocos, tem consequências nos Estados Unidos e no Japão. Essa forma de contar histórias utilizada por González-Iñárritu, foi posteriormente utilizada por Paul Haggis em Crah - No Limite (ver 7º lugar). Até a Rede Globo copiou o formato em um de seus muitos seriados sem vida longa. Produzido no México, Amores Brutos possui um roteiro sensacional e imagens incrivelmente reais, sendo cada uma das três partes muito bem conduzidas (talvez a segunda parte destoe do restante). As cenas exibidas são fortes e o filme mexe com o telespectador, mas eu não sou capaz de descrever em palavras tal sensação. Talvez seja por isso que eu considere Amores Brutos o terceiro melhor filme da década. Se ainda não viu, vá até a locadora mais próxima ou até o site de downloads mais próximo.





2º Lugar: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, 2001)

Em segundo lugar está a produção francesa O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. O filme conta a história da jovem Amélie (Audrey Tautou), uma tímida garçonete, que no dia do acidente que vitimou Lady Di , encontra em sua casa uma pequena e antiga caixa que pertencera a uma criança, que residiu naquele mesmo apartamento há muito tempo atrás. Decidida a entregar a caixa para o seu dono, agora um senhor, ela parte em busca do endereço de Dominique (Maurice Bénichou). Após o encontrar, ela deixa a caixinha em uma cabine telefônica. Amélie, escondida, liga para aquele telefone no exato momento em que Dominique estava passando. Ao atender o telefone, ele encontra a sua antiga caixinha e lembra de todas as mémorias que os objetos contidos naquela caixa o remetem. Amélie assiste a tudo escondida e se encanta com a reação dele. A partir desse momento, sentindo uma sensação de dever cumprido, ela buscará ajudar a todos à sua volta, conhecidos ou não. Em alguns casos, ela verá a si mesma como uma justiceira, em cenas que ela se imagina com a máscara e a espada do Zorro. Contudo, ela ainda é muito solitária. Um certo dia, ela conhece Nino Quincampoix (Mathieu Kassovitz), por quem se apaixona. Nino trabalha em uma loja de artigos eróticos e coleciona fotos 3x4 de estranhos. Em uma confusão no metrô, ele esquece o seu álbum de desconhecidos. Quem o acha é Amélie, que vê nessa ocasião, além da possibilidade de entregar o álbum para o verdadeiro dono, se aproximar dele.


















Como podemos ver a história é simplíssima e pode até parecer boba para alguns. Mas por que ela está nessa lista? Amélie Poulain é uma belíssima homenagem às coisas simples da vida. No início do filme, ao apresentar os personagens, o narrador fala do que cada um gosta e do que não gosta. Por exemplo, Amélie adoraa afundar a mão no saco de cereais da feira, coleciona pedras achatadas para jogar nos lagos e rios...Prazeres tão pequenos e corriqueiros, mas que todo mundo possui. Alguns apenas ainda não perceberam. Como falei a história é muito simples, e é justamente a simplicidade que torna tão atraente e cativante. Efeitos especiais e atores hollywoodianos? Que nada...
O filme tem dois histórias que se destacam. Uma dela é o mistério do homem que tira fotos 3x4 numa cabine fotográfica, as rasga e as põe no lixo. Esse mistério irá render muitas suposições e despertará a curiosidade do telespectador. Outra parte interessante, é o anão do jardim do pai de Amélie. Um dia o anão desaparece, e em seguida seu pai recebe fotos do anão em diversas partes do filme. Isso tem um propósito, mas não cabe contar aqui. Com uma bela fotografia e direção de arte, o verde e o vermelho são as cores que se destacam nas cenas. Um recurso utilizado pelo diretor Jean-Pierre Jeunet para direcionar a atenção de expectador. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain teve cinco indicações ao Oscar: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Som e Melhor Roteiro original. Contudo, não levou nenhuma estatueta. O filme passa uma mensagem clara: Quem sabe aproveitando as pequenas coisas cotidianas, as pessoas se importariam menos com problemas supérfluos e a vida seria bem melhor? E se ela [Amélie] mudasse a sua vida também? Vale a pena conferir!





1º Lugar: Cidade de Deus (2002)

A obra-prima de Fernando Meirelles. O filme conta a história de como surgiu o tráfico de cocaína na favela Cidade de Deus. Narrada por Buscapé (Alexandre Rodrigues), desde o início da formação da Cidade de Deus nos anos 60, onde o governo instalou várias famílias como uma política de remoção das favelas. O filme começa com Buscapé ainda criança (Luis Otávio) e o início das incursões policiais na favela. Nessa parte inicial se destaca a história do Trio Ternura, formado por Cabeleira (Jonathan Haagensen), Alicate (Jefechander Suplino) e Marreco (Renato de Souza), irmão de Buscapé. O Trio Ternura roubava estabelecimentos, mas tinha como premissa nunca matar ninguém. Com idade próxima a Buscapé, existiam ainda os amigos inseparáveis Dadinho (Douglas Silva) e Bené (Michel de Souza Gomes). O Trio Ternura se desfaz, os anos passam, a Cidade de Deus cresce, e Dadinho, agora auto-nominado Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora) se torna o principal traficante na favela ao lado de seu amigo Bené (Phellipe Haagensen). Percebendo que os donos das bocas-de-fumo de traficavam cocaína estavam ganhando muito mais dinheiro do que ele que traficava maconha, ele decide que será dono de quase todas as bocas-de-fumo na Cidade de Deus e começará a vender pó. Ele ganha a maioria dos pontos de venda à base de muito tiroteio e morte. Todo mundo na favela o respeita e é visto até como um "síndico" da favela. Qualquer problema é só falar com ele. Mas ele vai resolver à sua maneira. Enquanto isso, Buscapé busca fugir do crime: trabalhar, estudar... Contudo, se encanta com uma máquina fotográfica e decide que será fotógrafo. Terá que lutar bravamente contra o meio marginal e violento que o cerca.


Cidade de Deus é um filme direto e envolvente, representando um realismo poucas vezes visto no cinema nacional sobre a violência urbana. Ao mostrar como funciona o tráfico nas favelas, que envolve desde crianças de oito anos de idade até policiais, o filme apresenta um retrato nu e cru da vida na favela. Uma das cenas mais impressionantes e contundentes do filme é quando o bando de Zé Pequeno vai atrás de um grupo de crianças que cometem pequenos furtos. Para servir de exemplo as demais crianças, Zé Pequeno manda uma delas escolher onde ela quer levar um tiro: "Na mãozinha ou no pézinho?". Após o tiro no pé, e com as crianças em prantos, Zé Pequeno manda um pré-adolescente escolher uma das crianças para matar, e essa seria a sua iniciação no crime. Essa cena foi um soco no estômago de muita gente que vive confortavelmente em seu apartamento e não tinha a menor idéia do cotidiano em uma favela. Uma cena difícil de digerir.


As cenas possuem imagens rápidas, o que dá velocidade e ação ao filme. Uma das cenas mais interessantes visualmente é quando Bené é morto em uma danceteria ao som de música "quase" eletrônica e com uma luz branca piscando. O espectador visualiza a cena somente quando aparecem os flashs brancos, o que dá a impressão de um slow-motion. Espetacular. Além da estética do filme, vale ressaltar a riqueza de personagens: Mané Galinha (Seu Jorge), Cenoura (Matheus Nachtergaele), Bené, o próprio Trio Ternura, Buscapé, Zé Pequeno. Se fôssemos analisar cada um deles, daria uma tese. Aproveitando o gancho, a maior parte do elenco é de moradores da própria Cidade de Deus, e as interpretações não deixam a desejar em nenhum momento, pelo contrário são excelentes. Técnica posteriormente copiada por Danny Boyle em Quem Quer Ser um Milionário, para dar maior realismo as cenas.
Por fim, Cidade de Deus serviu para consolidar a ótima fase do cinema brasileiro, após a retomada com Central do Brasil. Aliás, poucos filmes brasileiros foram tão longe como o de Meirelles. Cidade de Deus recebeu quatro indicações ao Oscar: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Diretor para Fernando Meirelles. Infelizmente não levou nenhuma estatueta, mas levou outros troféus em várias premiações pelo mundo. Recentemente foi escolhido como uma dos 100 Melhores Filmes de Todos os Tempos pela revista Time.

Acho que não preciso explicar mais porque Cidade de Deus é considerado por mim como o melhor filme da década. Um filme inesquecível e que deve ser revisto com frequencia.





Consideração final: Bom, essa foi a útlima postagem do ano com a minha lista sobre os 10 Melhores Filmes da Década. Com certeza não vou agradar a todos, mas como falei o início, tentei tornar a lista a mais representativa do que se produziu na época.
Interessante notar que os três primeiros lugares não são obras de Hollywood. Isso não foi planejado, mas comprova que há vida inteligente, e muito, fora dos Estados Unidos. Recomendo fortemente cada um desses dez filmes. Boa sessão e até o ano que vem!